Mulher

Cores da alma

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Escolher a cor da roupa que se vai usar pode ser uma decisão mais importante do que se imagina. Você já deve ter ouvido falar que o branco representa a paz; o vermelho, desejo; o preto, luto; o dourado, riqueza. Assim como essas cores, muitas outras são automaticamente associadas a certos conceitos que variam de cultura para cultura - no Oriente, o branco é sinal de tristeza e luto, por exemplo.

Mas esses significados são apenas uma das formas de se interpretar o uso das cores no dia-a-dia. “As cores possuem um influência fisiológica nas pessoas”, afirma a professora de planejamento gráfico do curso de jornalismo da Universidade do Sagrado Coração (USC) Alexandra Bujokas. Segundo ela, muitos estudos nas áreas de neurociência e psicologia já comprovaram que as cores podem provocar reações físicas nas pessoas. Ou seja, o humor pode mudar de acordo com a cor da roupa ou ambiente no qual a pessoa está.

A explicação para isso seria a maneira como os olhos humanos processam a carga de energia que as cores carregam. De um modo simples, as cores podem ser descritas como luzes com certa intensidade de onda. Toda luz é energia. Dessa forma, cada cor seria um pedaço de energia com determinada intensidade. A luz vermelha tem a onda mais comprida entre as cores visíveis, e a luz violeta a onda mais curta. Todas as outras cores estão entre essas duas. Por isso o vermelho (e seus derivados “quentes”) despertam os sentimentos e reações mais fortes, mais impulsivos, ao passo que os tons azulados e puxados para o violeta acalmam.

O médico americano Morton Walker, autor do livro “O Poder das Cores”, publicado pela Editora Saraiva, analisa na sua obra os estudos de vários médicos e psicólogos sobre as cores e conclui que, realmente, as cores podem alterar estados físicos e ainda determinar traços da personalidade de uma pessoa. O autor lista em seu livro, uma série de reações físicas que as principais cores causam.

Vermelho

• eleva a pressão sangüínea;

• aumenta o fluxo do sangue, manifestado pela acelereção da pulsação;

• a respiração fica rápida;

• o paladar fica mais sensível;

• o apetite aumenta;

• o sentido do olfato cresce;

Laranja

• o apetite aumenta;

• ajuda no relaxamento e aumenta o sono;

• a freqüência do fluxo sangüíneo diminui;

• desenvolve-se uma sensação de calma, placidez e segurança quando o laranja é combinado com o azul.

Amarelo

• o amarelo somado ao estresse prepara uma pessoa para fugir ou lutar;

• crianças em ambientes pintados de amarelo choram com mais freqüência;

• ambientes amarelos intensificam crises de alergia e gases.

Azul

• acalma;

• diminui a pulsação;

• aprofunda a respiração;

• reduz a transpiração;

• baixa a temperatura do corpo;

• elimina o ímpeto ou a resposta à luta;

• reduz o apetite (são muito poucos os alimentos azuis na natureza).

Verde

• diminui as reações alérgicas à alimentação;

• reduz a hipersensibilidade aos aditivos da comida;

• ameniza a dor causada por equizema, diarréia e problemas gastrointestinais;

• produz substâncias químicas que melhoram a visão. A cor oposta à do tecido interno do corpo (na maioria, vermelho) é o verde-cirúrgico, uma tonalidade que ajuda os olhos dos médicos, reabastecendo a visão durante a cirurgia.

Marrom

• dispersa a depressão mental;

• promove a síntese da seretonina (um neurotransmissor);

• reduz a irritabilidade;

• elimina a fadiga crônica.

A cor e a personalidade

Quando você escolhe uma cor para se vestir, está contando uma história sobre sua personalidade e comportamento, segundo Walker, para quem as preferências por cores são inatas. Cada pessoa nasce com atração por algumas cores em particular e, provavelmente, conserve esse gosto pela vida toda (veja ao lado como elas indicam traços da personalidade). Para o autor, a escolha da cor é um resultado de seus genes, lembranças de infância, educação, crença dos pais, cultura, tendências políticas e variados aspectos da vida.

“Os psicólogos acreditam que a admiração pelas cores expressa pelo adulto demonstre as tendências emocionais normais dos pequenos. As crianças, geralmente, adoram cores vivas”, escreve. De acordo com Walker, a preferência de uma criança pelo lápis preto talvez indique emoção reprimida ou pais dominadores e severos.

A paixão pelo amarelo revela os traços infantis do jovem e sua dependência dos adultos. Vermelho representa sentimentos despreocupados. Verde significa uma criança equilibrada, com poucos arroubos emocionais e uma natureza simples e descomplicada.

O autor lembra que as crianças pequenas quase sempre representam suas mães em tons pastéis e seus pais em cores fortes. “E assim é com os adultos. A preferência de uma cor a outra revela sua verdadeira personalidade, as características de seu interior e a visão que vem de dentro da pessoa”, coloca.

As preferidas

Para a modelo Driély Verinaud, sua cor favorita, o azul, tem realmente as características descritas pelos especialistas nas cores. “O azul me faz sentir bem, transmite paz”, diz. A estudante Fernanda Aidar confirma a boa fama da tonalidade. Sua cor preferida é o azul-turquesa, que ela acredita ser alegre e chamativo.

Apesar de gostarem do azul, as duas nem sempre escolhem roupas dessa cor quando saem de casa. Nessa hora o preto é a cor da vez. “Com o preto você nunca está fora da moda”, justifica Verinaud.

O preto também é uma das cores mais usadas pela estudante Iara Mastine, principalmente à noite. Sua cor favorita, porém é o branco. “Acho que me traz uma sensação de paz, tranqüilidade e limpeza”, diz. Para a comerciante Heloísa Chaves, apesar do preto ser uma cor básica para a moda e o branco sempre trazer a idéia de pureza, nada mais chamativo e provocante do que a sua cor preferida, o vermelho. “É, com certeza, a cor que mais mexe com as pessoas. Quando visto o vermelho, sei que vão prestar atenção em mim”, garante.

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