Bairros

Moradores apelam para ponto de referência

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 2 min

Na periferia, feliz o morador que reside próximo à igreja, à escola ou ao supermercado. Sem placas indicando os nomes das ruas ou, quando muito, os números das quadras, só mesmo um ponto de referência bastante conhecido pode garantir rapidez e evitar imprevistos com pedidos de entrega domiciliar.

“Quando peço alguma coisa, sempre dou dois ou três referências. O problema é que os pontos ficam a quatro quarteirões daqui. Aí vai do entregador ter paciência e sorte para encontrar logo. Muitas vezes, só localizam o endereço depois de perguntar para alguém. Como estou aqui há dez anos, as pessoas me conhecem”, conta a faxineira Delvani Aparecida Alves, moradora do Parque Jaraguá.

Apesar do longo tempo de residência no bairro, Delvani afirma só saber o nome da rua onde mora - a “Azor Garcia dos Santos” - e de onde passa o ônibus circular. “Sei onde as coisas ficam, mas nome não sei informar, não. Placa aqui, nem pensar. Nem de ‘Pare’ tem”, zomba, numa crítica bem-humorada ao abandono do bairro.

Muito menos conformado com a situação do Jaraguá está o jardineiro Antônio Vitalino de Oliveira, que, aos 60 anos, esbanja força de vontade para trabalhar e sustentar os três filhos pequenos do segundo casamento.

“Este lugar (ele refere-se a Bauru) é morto e esta administração um verdadeiro relaxo. Se fosse só placa que faltasse aqui, estava até bom. Mas olha para isso (aponta a rua de terra esburacada, a paisagem pobre e sua própria casa, um puxado mal construído), é uma vergonha viver assim”, disparou.

A comerciante Benedita Domingos, proprietária de um bar na parte alta do Jaraguá, diz ser testemunha das dificuldades que pessoas de fora enfrentam para localizar moradores do bairro.

“Por ser um bar, todo mundo pára aqui para pedir informações. Geralmente é entregador de material de construção e de bebidas. Quando eles dão o número da rua (forma de identificação quando o núcleo foi inaugurado), eu ajudo, mas se só tem o nome, é quase impossível. Já muita gente voltar com a encomenda para trás porque não achou o endereço”, contou.

Pessoalmente, Benedita já superou a deficiência. “Estou aqui há 12 anos e os meus fornecedores estão acostumados. Quando a entrega vem de um lugar diferente, eu já falo que estou a duas quadras da escola. Aí não tem erro”, alivia-se, para depois criticar o desmazelo da administração municipal com o bairro.

“Fomos completamente esquecidos. Todos os dias, sofremos com a falta d’água e já cansamos de esperar o asfalto chegar. Nem placa de sinalização temos por aqui. Se acontecer um acidente, ninguém pode dizer quem está certo ou errado.”

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