Bairros

Periferia tem déficit de 10 mil placas

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Não bastassem os inúmeros problemas decorrentes da infra-estrutura precária, os bairros periféricos de Bauru sofrem também com um detalhe muito pouco observado: a ausência de placas que indicam os nomes das ruas. Só mesmo quem enfrenta dificuldades para receber encomendas em domicílio e ser localizado por amigos de outras regiões da cidade ou parentes de fora sabe a falta que elas fazem.

Com exceção do Centro e dos bairros que o circundam, praticamente todas as demais localidades do município apresentam déficit de indicativos de endereço. Em alguns pontos, a carência é parcial - uma única placa para uma rua muito extensa -, em outros, é total, deixando motoristas e transeuntes literalmente perdidos.

A Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), responsável pelos emplacamentos, não sabe estimar quantas das 3.515 ruas registradas oficialmente têm denominação visual. Em contrapartida, a repartição municipal calcula que o déficit de placas chegue a 10 mil.

Os bairros novos, que contam com chapas denominativas somente nas vias principais (avenidas e ruas por onde passam ônibus urbanos) e os loteamentos são os mais prejudicados. Os primeiros, porque ainda são desconhecidos, os segundos, pelo fato de apresentarem uma ocupação bastante esparsada, o que torna a preocupação com o emplacamento ainda mais distante.

Núcleos mais antigos, no entanto, não estão fora da lista dos “sem-endereço”. Caso, por exemplo, do Jaraguá, Santa Edwirges, Tangarás, Pousada da Esperança, Jardim Nicéia, Vale do Igapó, Parque das Nações e Ferradura Mirim. Aliás, quanto mais pobre, sem infra-estrutura e abandonado, maior a ausência de identificadores.

Nesses locais, os moradores têm que improvisar se quiserem figurar no mapa. Quem tem melhor condição financeira providencia placas em fábricas especializadas, embora livres de qualquer padrão. Onde o dinheiro é curto ou artigo raro, a saída acaba sendo uma tabuleta de madeira pintada com esmalte, que serve, ao menos, para indicar o número da casa.

Nos aglomerados de barracos, nem mesmo a boa vontade e o desejo de “querer existir” são suficientes. O fato de ocuparem, em sua maioria, áreas clandestinas impede que as ruas ganhem denominação oficial, ou seja, elas não podem ter nome.

O setor de emplacamento da Seplan recebe, por dia, pelo menos uma reclamação sobre falta de placa, a qual vem, obviamente, acompanhada de pedido para sua respectiva colocação. As cobranças, porém, extrapolam o âmbito do Palácio das Cerejeiras.

Requerimentos no mesmo sentido chegam todos os dias aos gabinetes dos vereadores, que elaboraram listas para o encaminhamento à Seplan. â€œÉ função do vereador nomear ruas e logradouros públicos, mas cabe à Prefeitura executar os emplacamentos”, pontuou José Eduardo Ávila (PPB), um dos recordistas de 2001 na apresentação de projetos de lei para batizar ruas.

Até o final deste ano, a Prefeitura deve começar a corrigir a deficiência em questão. Um plano geral para o emplacamento de ruas está prestes a ser desencadeado e prevê uma completa padronização até 2008.

O programa, o primeiro do tipo a ser executado em Bauru, incluirá a colocação das plaquetas em pontos totalmente desprovidos, substituição das existentes que estão fora do padrão ou deterioradas, bem como novas instalações em vias extensas.

A administração também tem planos para ampliar o número de postinhos de identificação - aqueles instalados nas esquinas das principais ruas da região central.

“Pretendemos colocar entre 8 mil e 10 mil novos postinhos, que serão levados até os limites do Jardim Aeroporto e avenidas Nuno de Assis, Pedro de Toledo e Nações Unidas. Esse miolão é bastante movimentado e os postes de identificação vão facilitar a vida dos motoristas, principalmente daqueles que não conhecem a cidade direito”, expôs Wagner Bertolucci, chefe do setor de emplacamento da Seplan.

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