Contando os dias para deixar de pagar aluguel, Helena Prósper Muniz teve uma surpresa desagradável ontem. O portão de sua casa, que está em fase final de construção, no Jardim Santa Fé, foi furtado durante o dia, na hora da chuva, quando ela estava na casa ao lado conversando com o pedreiro e esperando o tempo melhorar.
O portão, que Helena pagou R$ 80,00, não foi o único prejuízo. “Já furtaram a pia da cozinha, as torneiras, vaso sanitário, uma lata de tinta e até a caixa d’água que já tínhamos instalados na casaâ€, diz. Para entrar no imóvel, na quadra 2 da rua Guilherme Ranches, os ladrões arrombaram a porta da cozinha, que terá que ser trocada.
Helena calcula que o prejuízo com os furtos já ultrapassa R$ 500,00. E por causa dos ladrões ela está pensando em desistir de mudar-se para a nova casa, que está sendo construída com dificuldade financeira. “Terei que comprar de novo tudo o que foi furtado. Vai ser difícil e qual garantia terei que não vão levar de novo?â€, questiona.
Trabalhando como acompanhante de uma idosa, Helena esperava mudar-se para a casa própria logo. “Eu queria mudar logo porque moro em casa alugada. Mas já não sei se mudo ou coloco a casa à venda embora saiba que será difícil achar negócio exatamente por causa dos furtosâ€, ressalta.
O portão foi furtado por volta do meio-dia de ontem, quando Helena e o pedreiro Mário Soares Silva estavam num imóvel ao lado da casa em construção, esperando a chuva passar. “Quando entramos no vizinho a casa tinha portão, mas quando saímos, depois da chuva, já não tinha maisâ€, conta Silva, que mora na mesma rua.
Indignado, ele frisa que ninguém viu os ladrões, que atacaram durante o dia. “O que mais estranho é que ninguém vê nada, sempre. Acho que as pessoas têm medo de denunciar os ladrõesâ€, opina.
Ele garante que os furtos a residência no bairro são freqüentes e para não ser vítima toma medidas preventivas. “Eu não deixo a minha casa sozinha nunca. Se eu saio, fica alguém em casa. Se não tiver ninguém eles entram mesmoâ€, afirma listando outros casos de furtos no bairro.
Silva conta que a Polícia Militar faz rondas pelo bairro, mas não está sendo o suficiente para coibir a ação dos ladrões. “A PM, inclusive a Cavalaria, passa por aqui. Mas é só eles não passarem um dia que tem furtoâ€, afirma.
Ele desconfia que os autores do furto são moradores de um bairro vizinho e acha que a saída é a PM fazer um arrastão no local. O tenente Renato Ramos, comandante da Base Noroeste, que é responsável pelo policiamento do Santa Fé, explica que o arrastão é inviável juridicamente.
A PM, ressalta, só pode fazer buscas nas residências mediante autorização judicial. Para isso, conta, é preciso que haja denúncia de ilegalidade em determinado local. “Também não podemos abordar todas as pessoas que encontramos nas ruas. Podemos fazer a abordagem apenas em caso de comportamento suspeitoâ€, diz.
A orientação do tenente Renato, para tentar coibir furtos a obras, é não instalar sanitários, pias, caixa d’água, portas, janelas e tudo o que seja possível de ser removido com facilidade antes de haver uma estrutura de segurança no imóvel. “As construções são alvos fáceis porque além de ficarem sozinhas à noite não oferecem segurança, como muros altos e grades nas janelasâ€, ressalta.
O tenente lembra que também não devem ser deixados materiais de construção na obra enquanto o imóvel não oferecer segurança. Mauro Fernandes Domingos de Oliveira, que construía uma casa no Jardim Santa Fé, teve até o muro derrubado pelos ladrões, que levaram tudo o que conseguiram retirar da obra num verdadeiro saque.