Economia & Negócios

Trabalhadores ainda vão à ECCB

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Um grupo de aproximadamente 130 trabalhadores da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) que ainda não foram absorvidos pela Grande Bauru - operadora do transporte coletivo que começou a atuar ontem na cidade - estiveram em frente ao prédio da empresa durante esta segunda-feira. O objetivo foi marcar presença no horário de início de suas antigas atividades na companhia, que embora fora do mercado, continua existindo juridicamente.

A informação é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Bauru (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva. Ontem ele esteve na ECCB acompanhando um fiscal do Trabalho que foi ao local registrar o laudo de constatação do encerramento das atividades da empresa. “Os trabalhadores foram se colocar à disposição da companhia e estão aguardando a Grande Bauru se manifestar sobre as novas contratações”, observa Silva.

De acordo com ele, durante a visita do fiscal do Trabalho ao prédio da ECCB teria sido encontrado um comunicado, afixado no portão principal da garagem. Nele constaria a informação de que a empresa estaria aguardando decisões judiciais referentes à solicitação de retorno da ECCB às atividades. “No comunicado também constava que a empresa comunicará aos trabalhadores e ao sindicato a decisão da Justiça sobre o assunto”, diz Silva.

A reportagem tentou falar com o advogado da empresa, Fábio José de Souza, mas até o fechamento desta edição ele não havia retornado aos recados deixados em seu escritório e na caixa postal de seu telefone celular.

Preocupação

Conforme matéria publicada na edição de ontem do Jornal da Cidade, a estimativa do Sindtran é de que cerca de 150 a 200 funcionários que pertenciam ao quadro da ECCB fiquem sem emprego. Segundo Silva, a Grande Bauru trabalha com a média nacional do transporte coletivo urbano, que é de 4,2 funcionários por carro, enquanto que a média da ECCB era de 6,5 funcionários por veículo. Por isso, nem todos serão absorvidos.

“Estamos preocupados com essa situação. Com base no cálculo da média nacional, cerca de 474 funcionários da ECCB deveriam ser contratados pela nova operadora. Contudo, até o momento, a Grande Bauru ainda não informou quantos trabalhadores ainda serão absorvidos e nem quando isso ocorrerá”, afirma. A empresa possuía um quadro de 747 trabalhadores. Desse total, 270 eram motoristas e 279 atuavam como cobradores.

De acordo com o presidente do Sindtran, diante do comunicado emitido pela ECCB sobre o aguardo de decisões judiciais e da constatação feita pelo fiscal do Trabalho, a partir de hoje os trabalhadores ficam totalmente desobrigados de comparecer à empresa. A orientação do sindicato é para que eles aguardem novos contatos por parte da companhia.

Silva também destaca que, a partir de hoje, o Sindtran estará tomando as providências legais cabíveis para assegurar direitos trabalhistas de todos os funcionários que atuavam na empresa cessante. Entre eles, o pagamento do adiantamento salarial e do tíquete alimentação no valor unitário de R$ 80,00, referentes ao mês de abril, previstos para os dias 22 e 25 deste mês, respectivamente.

Antecipação

Em contato com a reportagem, a assessoria de imprensa da Grande Bauru informa que, ontem, já eram 412 o total de funcionários da ECCB contratados pela nova operadora, exercendo as funções de mecânico, fiscal, cobrador e motorista. A assessoria afirma que a companhia ainda contratará mais trabalhadores. Porém, ainda não seria possível precisar quantos e nem quando.

De acordo com a assessoria de imprensa, ainda não teria havido tempo hábil da empresa acertar todas as contratações pelo fato das atividades estarem sendo iniciadas 17 dias antes do previsto, a pedido da Prefeitura Municipal. O motivo da antecipação teria sido o vencimento do contrato da ECCB com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que findou ontem.

Ainda de acordo com a assessoria, a Grande Bauru não tem obrigação de manter os mesmos salários que eram pagos pela ECCB. Na nova operadora, os lavadores de veículos receberão R$ 330,00; os cobradores, R$ 456,00, e os motoristas, R$ 710,00.

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