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Bauru ocupa o 29º lugar em casos de aids em todo o País

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Bauru ocupa a 29.ª posição em número de casos de aids em todo o Brasil e o 46.º lugar na incidência da doença por 100 mil habitantes. Os dados fazem parte do mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, que revela uma tendência que já vinha sendo observada: a inclusão de cidades menores no ranking da aids, a chamada interiorização da doença.

Desde 1980 até setembro do ano passado, foram notificados em Bauru 1.118 casos de aids, o que a coloca no 29.º lugar entre as cidades com mais registros da doença, posição mais favorável que as das listas anteriores. “Bauru vinha intercalando entre o 27.º e o 28.º lugar nos últimos boletins”, conta Eliane Regina Catalano Monteiro, que coordena o Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis na cidade.

Ela explica que Bauru caiu para a 29.a posição - já esteve em 14.ª - porque cidades pequenas, que até poucos anos quase não tinham notificações, passaram a registrar casos de aids. “De 1997 para cá houve uma redução de novas notificações, que vem mantendo-se estável. Mas a posição de Bauru no ranking caiu porque mais cidades, incluindo as pequenas, que até então não tinham notificações, estão entrando na lista”, diz.

As notificações em Bauru, de acordo com Eliane, seguem a tendência nacional dos últimos boletins, de maior número de casos de aids entre pessoas heterossexuais. “A doença voltou a aumentar em pequenos percentuais entre homossexuais jovens, mas ainda é menos que os casos entre os homens e mulheres heterossexuais”, explica.

Por isso, Bauru continuará o programa preventivo para o uso de preservativo no ato sexual entre heterossexuais, conta Eliane. “O nosso enfoque continua sendo homens e mulheres heterossexuais, incluindo parceiros fixos. A nossa proposta é que as mulheres tenham diálogo com o parceiro, para que usem o preservativo”, ressalta.

O problema da prevenção relatado pelas mulheres, de acordo com Eliane, é que boa parte dos homens ainda não aceita o preservativo. “Entre parceiros fixos, a aceitação do preservativo ainda não é muito fácil. Por isso trabalhamos com prevenção, principalmente visando mulheres de baixa renda, que têm menos acesso à informação, para que elas negociem com seus parceiros”, frisa.

Para tentar facilitar o acordo, a Secretaria Municipal de Saúde começou a distribuir, de graça, preservativos femininos em algumas unidades de saúde. â€œÉ uma forma de a mulher ter autonomia na proteção”, explica Eliane. Por mês, são entregues 300 preservativos femininos.

Mas esse número ainda é muito pequeno se comparado ao de preservativos masculinos: 40 mil por mês. Além das mulheres, a coordenadora do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis vê necessidade de intensificar as campanhas de prevenção entre adolescentes, que estão iniciando a vida sexual. “Há muito informação, mas não aprofundada. Eles ainda têm muitas dúvidas”, completa.

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