O detento Paulo Alves Ribeiro, 42 anos, que cumpre pena na Penitenciária 1 de Bauru, teve queimaduras de 1.º, 2.º e 3.º graus em quase 50% do corpo numa briga com um colega de cela, ocorrida no último sábado. Internado há três dias no Pronto-Socorro Central, ele aguarda vaga na Unidade de Tratamento de Queimados do Hospital de Base.
Ontem, familiares de Ribeiro reclamaram ao JC da demora da transferência do paciente para o Hospital de Base, que tem um setor específico para tratamento de queimados. “Não é possível que não tenha uma vaga para internar meu cunhado. Ele está bem tratado no PS, mas temos medo que ele acabe contraindo uma infecção porque não é o ambiente adequado para o tratamento que precisaâ€, diz Miriam Eliane Garcia, cunhada de Ribeiro.
A direção do Pronto-Socorro Central informou que solicitou vaga para Ribeiro no Hospital de Base ainda no sábado, logo após a entrada do paciente na unidade. No entanto, até ontem à noite não havia vaga. Todos os 12 leitos do Hospital de Base para pacientes com queimaduras estavam lotados, com nove adultos e três crianças, de acordo com o hospital.
Inconformada com a demora, Miriam questiona o atendimento do sistema público de saúde. “Estamos desconfiando que isso está acontecendo porque ele é presidiário. Ele está pagando pelo que fez de errado, mas é um ser humano e merece um tratamento melhorâ€, afirma.
No final da tarde de ontem, depois de muito reclamar da falta de vaga na unidade de tratamento de queimados, a família obteve uma promessa de que até hoje o problema será resolvido. “Eles ficaram de tentar uma vaga até amanhã (hoje)â€, diz Miriam.
Ribeiro teve o corpo queimado com água fervente, durante uma briga com um outro preso, provavelmente dentro da cela. O preso que jogou água quente em Ribeiro está recolhido numa cela de reclusão e vai responder inquérito por lesão corporal, de acordo com o diretor da Penitenciária 1 de Bauru, Wilson Erloza Júnior. “Registramos boletim de ocorrência pela lesão corporal e vamos abrir sindicância interna, que pode determinar punição para o autor da agressãoâ€, diz.
Provavelmente, o autor da agressão usou um aquecedor improvisado para ferver a água que jogou no colega. Erloza Júnior conta que apesar de ser proibido, os presos improvisam esse tipo de aquecedor com fios de qualquer tipo de aparelho eletrônico. “Eles retiram fios de rádio ou TV, fazem uma espécie de resistência e ligam esse aparelho na tomada. Assim conseguem aquecer águaâ€, conta.
Todos os chuveiros do presídio são frios, mas o uso do parelho caseiro improvisado para aquecer a água é proibido, frisa Erloza Júnior. “Quando fazemos blitz nas celas apreendemos os aquecedores caseiros que encontramos. Mas é quase impossível evitar que façam outros porque isso pode ser feito com qualquer tipo de fio condutor de eletricidadeâ€, ressalta.