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Conseg quer implantar guarda escolar

Da Redação
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Os conselhos comunitários de segurança (Consegs) de Bauru entregaram, ontem, um documento ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) propondo sugestões para melhorar a segurança dentro e fora das escolas de Bauru. O principal pedido, surgido de uma reunião entre diretores, professores e políticos, é a criação de uma guarda escolar, específica para os estabelecimentos de ensino e suas redondezas.

De acordo com Júlia Rapanelli Pinho, presidente do Conseg Noroeste/Oeste, o órgão recebe, em média, 15 reclamações por mês de mães de alunos, na maioria relacionadas a agressões e uso e tráfico de drogas na porta da escolas - e mesmo dentro das salas de aula.

Na área do Conseg Noroeste/Oeste, há 21 escolas estaduais. Segundo Júlia, todas têm problemas com a criminalidade. Para ela, no entanto, o problema não se restringe apenas aos bairros mais violentos. “Escolas da cidade toda estão reclamando”, diz.

O presidente do Conseg Leste, Sérgio Ferrari de Souza, concorda que escolas de todas as áreas da cidade estão sofrendo com a criminalidade. Para ele, o trabalho em conjunto dos Conseg da cidade poderia apresentar soluções mais eficazes que as propostas pelo governo estadual. “A secretaria (de Educação) do Estado não vive a realidade que a população vive”, observa.

Como argumentação a favor de uma guarda específica para as escolas, Souza cita o “êxito total” que teve a implantação de uma ronda formada por policiais integrantes da Banda da Polícia Militar (PM), que há quatro meses vigiam a porta das escolas da área leste nos horários de pico, ou seja, nos períodos de entrada e saída de aulas.

Souza acredita que uma guarda escolar, preferencialmente municipal, liberaria viaturas e homens da PM do policiamento na porta dos estabelecimentos do ensino, permitindo que eles pudessem atuar em outras áreas da cidade.

Na opinião de Júlia, o Plano de Segurança nas Escolas, lançado neste mês, ajuda a solucionar o problema, mas não é suficiente. Segundo ela, a comunidade que ela atende quer adeqüações ao projeto. A principal é a introdução de guardas com formação diferente da dos policiais - mas com “poder de autuar” - para cuidar da segurança dos alunos.

Alheios

De acordo com Júlia, o principal problema dentro das escolas da área do Conseg Noroeste/Oeste é o grande número de agressões, inclusive com armas brancas. Diante disso, professores e diretores acabam obrigados a deixar a questão pedagógica de lado para passar a maior parte do tempo repreendendo os alunos.

Do lado de fora, o problema é ainda mais grave. Como exemplo, Júlia cita o caso da escola Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, em frente a qual um menino de 13 anos foi morto em março. Segundo ela, “elementos alheios” à escola, que não têm trabalho nem opções de lazer no bairro, reúnem-se em frente ao local nos horários de entrada e saída. Estes seriam os maiores responsáveis pelas agressões e tumultos freqüentes na porta da escola.

Como agravante, há estabelecimentos que vendem bebida alcoólica praticamente na porta da Ayrton Busch, o que é proibido. Para ela, a guarda escolar não acabaria com estes bares, mas poderia, pelo menos, evitar que grupos de jovens - talvez alcoolizados - provocassem agressões, ameaças a professores e até mortes na porta das escolas.

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