Articulistas

Os cães do mundo...


| Tempo de leitura: 2 min

Tomando conhecimento, pelas páginas dos jornais e projeções da Televisão, de assaltos coletivos perpetrados contra mais de uma centena de jazigos e sepulturas de alguns de seus principais cemitérios, a Capital bandeirante praticamente perdeu o resto das esperanças que ainda tinha de ver minimizada a criminalidade que ocorre em seus avantajados domínios, deduzindo que os furtos e roubos em residências, assim como de veículos e respectivos pertences, vão continuar em escala sempre crescente, não obstante providências que a Prefeitura paulistana possa desencadear com o propósito - santo propósito! - de inibir a ação dos assaltantes que se acobertam atrás de seus muros. E as esperanças se foram porque a população chegou à certeza de que o submundo do crime chegou ao clímax à volta de si, não abrindo mão de nada de toda a enorme variedade de bens valiosos que servem à cobiça dos ladrões, cuja ação bateu, por isso, de tempos a esta parte, todos os recordes de audácia e desrespeito, dos quais até agora se tinha notícia e, por isso, a turma não está nem aí no apregoado negócio de mobilização policial imediata para um combate intensivo da infinidade de desmandos. De fato, se até os mortos, que dormem tranqüilamente seu eterno sono, são assaltados corajosamente em suas sepulturas, já não suscitando medo nos namorados de suas jóias ou nos adereços das lajes de seus jazigos, certamente não serão os vivos que por causa de seus lindos olhos abertos possam vir a ser preservados inocentemente, pois continuarão sendo dilapidados até mesmo depois da morte. Eta mundo cão... E cão notoriamente hidrófobo, o que é sem dúvida muito pior, mais difícil de ser rigorosamente guardado nas suas gaiolas específicas, como o são ou teriam de ser, em rígidas grades de ferro, os larápios em geral, inclusos, logicamente, os audazes esvaziadores de túmulos.

É evidente, aduza-se, no entanto, que as medidas preconizadas ou mesmo em andamento, segundo a genialidade da administração municipal paulistana, precisam ser levadas mesmo a plano concreto, na esperança de que atinjam logo o ideal colimado. E não apenas na velha Paulicéia, que merece o melhor, mas, também, em doses idênticas, em muitas cidades do Interior, onde o “fenômeno” já tem acontecido. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

Comentários

Comentários