E nossas armas, onde estariam?
Haviam desaparecidas misteriosamente, fato que mais nos intrigou. Socorro, ele gritava, acode, o bicho vai me pegar. Sem outra alternativa, batemo-nos em vergonhosa retirada, deixando nosso companheiro à mercê da “apariçãoâ€; como poderíamos enfrentar aquela fera sem um canivete sequer?
Começamos a gritar desesperados e o bicho desapareceu mato à dentro. Nosso amigo estava caído, quase desfalecido; pesado, chamamos o Caetano e o Pedro Catz para nos ajudar a carrega-lo. Só agora notamos a falta deles: onde estariam; foram atacados? Gritamos seus nomes várias vezes, sem nenhuma resposta; alguns minutos e apareceram: braços erguidos, pálidos e muito nervosos gritando: calma, calma, foi tudo uma brincadeira de mau gosto, grosseira e perigosa, reconhecemos: desculpe-nos jamais pensamos que essa inconseqüência pudesse ter um impacto de tamanha gravidade.
O acontecido... Os dois haviam vencido um concurso de fantasias hediondas, apresentando-se numa versão de lobo, tão perfeita que dava medo olhá-la até em pleno meio dia. Assim resolveram aproveitar-se dessa aparente autenticidade para pregar um susto no amigo engenheiro, que era muito gabola em termos de coragem. Armaram toda uma encenação, levando com eles a fantasia, sem que nós outros soubéssemos. Na certeza de que usaríamos as armas numa situação de aparentes ameaças, tiveram a prudência de escondê-las.
Imagine o leitor estando numa ilha deserta distante das margens de um rio em noite escura, ventinho frio causando-nos arrepios; depois de terem ouvido as histórias impressionantes contadas pelo pirangueiro a respeito da onça; daquele rescaldo de animal nos fitando com expressão de sorriso mortuário e em seguida surgir à sua frente um animal hediondo, um arremedo de demônio?
O Araguaia é assim, cheio de surpresas agradáveis e algumas vezes não.
Felisdeu Leão Dentista e pescador