Economia & Negócios

Greve deixa mais de 200 ações trabalhistas sem o julgamento

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 240 ações trabalhistas já deixaram de ser julgadas no Fórum de Bauru desde que os servidores públicos federais da Justiça do Trabalho aderiram à greve nacional do Judiciário Federal, no último dia 13. Em assembléia realizada anteontem, em Campinas, a categoria decidiu manter a paralisação por tempo indeterminado, já que não teria ocorrido avanço nas negociações.

O cálculo é feito com base nas informações do comando de greve local, que afirma que diariamente o Fórum de Bauru recebe de 25 a 30 novas ações trabalhistas, entre todas as Varas. Além disso, por dia também seriam recebidas cerca de 120 petições e realizadas em torno de 60 audiências de conciliação e julgamento.

O coordenador local do movimento grevista, Ricardo Pesce, afirma que cerca de 500 pessoas participaram da assembléia. “Algumas propostas do governo foram recusadas porque excluíam a extensão dos benefícios aos aposentados, entre outras coisas. Por isso, a categoria decidiu manter o movimento”, diz Pesce.

De acordo com ele, apesar do impasse os servidores estariam comemorando um passo vitorioso na caminhada de reivindicações. O grevista destaca que o líder do governo na Câmara, deputado federal Arnaldo Madeira (PSDB/SP), condicionou a aprovação do Plano de Cargos e Salários (PCS) da categoria à aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

â€œÉ uma mudança bastante significativa por parte do governo porque, até então, Madeira se recusava a conversar conosco. Mesmo assim, o movimento continua forte em todo o País porque muita coisa precisa ser feita. No momento a greve atinge 17 Estados”, afirma Pesce.

Hoje, às 9h30, um grupo de grevistas estará no Hemocentro de Bauru se colocando à disposição para a doação de sangue.

Pressão

O objetivo da greve é pressionar o Congresso Nacional a votar o PCS elaborado pela categoria e que está na pauta de votação, como projeto de lei, desde o ano passado. Segundo Pesce, os salários do servidores estão congelados há cerca de oito anos.

O coordenador do movimento em Bauru diz que o salário base da categoria é de R$ 400,00, sendo que as gratificações e funções comissionadas não seriam incluídas na remuneração na hora do servidor receber a aposentadoria. “A origem das nossas mazelas está no congresso, onde foi definida uma política nacional de que o Judiciário seria sistematicamente cortado do repasse de verbas do orçamento”, desabafa Pesce.

De acordo com ele, numa portaria decretada anteontem pelo juiz presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15.ª Região - que inclui Bauru -, Carlos Alberto Moreira Xavier, ficou determinado que estão suspensos os protocolos de todos os órgãos de 1ª instância da Justiça do Trabalho da referida região, bem como os protocolos integrados e adicionais.

Também foram suspensos, a contar do último dia 17, os vencimentos de prazos e pagametnos previstos para o período. A contagem será continuada a partir do primeiro dia útil após o término da paralisação.

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