Os cerca de 100 trabalhadores rurais da chamada Fazenda Velha, em Bariri, estavam divididos em quatro alojamentos. São casas de alvenaria, algumas com o piso de madeira apodrecido e cheio de frestas.
Nos cômodos, beliches, camas e colchões estavam amontoados, entre roupas recém-lavadas ainda pingando água e cobertores rasgados. Um dos alojamentos era um antigo depósito de ração. Os trabalhadores dizem que as casas estão infestadas de ratos, que chegam a subir nas camas e fazem ruídos à noite.
Segundo os lavradores, vieram de Minas Novas (MG) três “levas†de homens, num total de 106. Cinco ou seis foram embora, não se sabe se para Minas Gerais ou para cidades da região. Para José Roberto da Silva, o “gato†que trouxe os cortadores de cana a pedido da Usina Della Coleta, o número de pessoas que chegaram é menor.
Desde 13 de abril, os lavradores - que se dizem “enganados†- dividem apenas um banheiro com poucos chuveiros. Como não há porta e a água do banho é fria, os lavradores ficam expostos ao ar frio do local, que fica no alto de um morro. Muitos trabalhadores estão com tosse constante. Eles dizem que têm medo de pegar pneumonia.
Segundo os trabalhadores, a assistência médica também é precária. O lavrador Jânio Rodrigues de Almeida contou que um dia desmaiou na roça. Ele relata que foi levado ao alojamento deitado no chão do ônibus, batendo a cabeça no chão. Na cidade, o médico pediu um raio-X do pulmão. “Quem vai me levar até lá para fazer meu exame?â€, questiona.
Marcelo Gomes de Macedo, outro cortador de cana vindo de Minas Novas, é um dos mais exaltados. Ele diz que quer voltar para sua cidade - ou então encontrar-se com o irmão, que trabalha na Usina da Barra, em Barra Bonita. “Todo mundo pensa assim: se me acertarem as contas, eu vou emboraâ€, garante.