Polícia

Homem é preso ao tentar pescar envelope de banco

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Até linha e anzol estão sendo usados na tentativa de furto de envelope com dinheiro de dentro de banco. Ontem à tarde, a tática, até então nova em Bauru, foi colocada em prática e registrada pela câmera de vídeo da agência da Caixa Econômica Federal (CEF) da rua Gustavo Maciel, na área central da cidade.

Porém, o envelope não passou pela boca de entrada da caixa coletora e um rapaz, que aparece na fita de vídeo tentando retirá-lo, foi preso. Os seguranças do banco perceberam a tentativa de furto e detiveram o pintor Renato Oliveira Santos, 25 anos, que mora em Londrina (PR).

Ele teria ficado, inclusive, com o braço preso na caixa coletora, segundo informou a assessoria de imprensa da CEF. Encaminhado ao 3.º Distrito Policial, informalmente Santos chegou a admitir a tentativa de furto.

Porém, em depoimento ao delegado Ismael Cavalieri, negou que tentou furtar um malote com dinheiro de dentro da caixa coletora. “Ele disse que estava na agência, que teria ido tomar um café, mas nega que tentou o furto. Mas ele aparece na fita gravada pela câmera de vídeo”, diz.

A agência estava lotada ontem à tarde, segundo a assessoria de imprensa da CEF, fato que deve ter facilitado a ação de quem tentou o furto. Mesmo assim, foi uma atitude ousada já que a caixa coletora de envelopes fica ao lado da bancada de caixas.

O autor da tentativa de furto deve ter entrado na agência como se fosse um cliente e aproximado-se da caixa com os envelopes. Em determinado momento, jogou a linha com o anzol de várias pontas e passou a puxá-la.

O anzol chegou a fisgar um dos 14 envelopes que estavam na caixa coletora, que somariam cerca de R$ 40 mil. Porém, a tentativa de furto foi frustrada porque a boca da caixa coletora é pequena (o suficiente apenas para a entrada de envelopes) e ainda há um dispositivo que impede a saída dos invólucros, explica a assessoria de imprensa da CEF.

Santos foi autuado por tentativa de furto e recolhido à Cadeia Pública de Bauru. O crime prevê pena de um a quatro anos de reclusão, menos um terço, por ter sido tentativa. A suspeita da Polícia Civil é que havia outra pessoa envolvida na tentativa de furto, possivelmente de Bauru.

Essa foi a primeira ocorrência de tentativa de furto de dinheiro de dentro do banco usando anzol registrada no 3.º DP. Mas há alguns meses uma tentativa de furto semelhante teria sido tentada na mesma agência, sem registro na polícia.

O delegado titular do 3.º DP, Marcelo Haddad, soube que a mesma tática de furto foi aplicada em outras cidades. Em uma das cidades, teriam sido furtados R$ 22 mil com a ajuda de linha e anzol. Por isso, para averiguar se há relação entre os casos, a Polícia Civil deve comparar as imagens gravadas nas outras agências se as outras tentativas de furto tiverem sido confirmadas.

A assessoria de imprensa da CEF frisa que a caixa coletora, muito usada por empresas para fazer depósitos, é segura. “A abertura é estreita e há um dispositivo físico que permite a entrada, mas impede a saída de envelopes”, informa. Além disso, toda área interna da agência é monitorada por seguranças.

Tática usa linha e anzol

1 - Aproveitando um horário que a agência esteja lotada, o ladrão aproxima-se da caixa coletora de malotes e coloca a tática de furto em prática

2 - Fingindo ser um cliente, o ladrão posiciona-se na frente da caixa coletora. Rapidamente, joga a linha com o anzol, que estava previamente preparada, na boca do recipiente, por onde são colocados os envelopes

3 - Contando com o fato de a linha ser quase transparente, ele passa a puxá-la a certa distância, na tentativa de que algum dos envelopes depositados na caixa coletora seja fisgado

4 - Ao perceber que o anzol já fisgou um envelope, vem a parte mais difícil: retirá-lo o envelope da caixa por uma abertura pequena. No caso de ontem, o envelope não saiu.

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