Auto Mercado

Maníacos pela esquerda

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Andar pelas ruas e avenidas de Bauru e outras cidades requer, acima de tudo, uma boa dose de paciência. Isso porque é comum deparar com motoristas que insistem em rodar a baixas velocidades na faixa da esquerda, num claro desrespeito a legislação de trânsito. Em Bauru, é freqüente topar com veículos à frente, quase sempre em velocidades inferiores à máxima permitida na via, que se recusam a dar passagem.

Alguns condutores parecem nutrir verdadeira “obsessão” pela esquerda. Enquanto muitos agem assim simplesmente porque não gostam de ceder seus lugares, outros o fazem por achar que estão na velocidade máxima permitida para o trecho. Há, ainda, os que dão passagem, mas aceleram em seguida. Às vezes, porém, os condutores não “compram” a esquerda por maldade. Apenas escolhem a melhor parte da pista para rodar.

Na cidade, os locais prediletos para tais tipos de comportamento são dois dos pontos mais movimentados da cidade: as avenidas Duque de Caxias e Rodrigues Alves.

O “complexo de tartaruga” também é freqüente na Rodrigues Alves, onde a situação se agrava em razão do intenso fluxo de ônibus de transporte coletivo. Ao agir assim, muitos condutores se esquecem que tal lentidão, além de atrapalhar a fluência do tráfego e desrespeitar a lei, ainda pode ser perigosa.

Mais do que cumprir as obrigações legais, deixar a esquerda livre para ultrapassagens é uma questão de bom senso. Para o comandante da 4ª Companhia de Trânsito de Bauru, capitão Reginaldo de Souza Braga, somente um trabalho de conscientização pode mudar o comportamento dos motoristas. â€œÉ uma questão que envolve, acima de tudo, a educação ao volante”, considera ele.

Diante disso, revela Braga, a companhia pretende lançar brevemente uma campanha na cidade. “A lentidão na faixa da esquerda será um dos temas principais dela”, adianta. Segundo o capitão, até mesmo as próprias viaturas da PM já foram prejudicadas pela vagarosidade de motoristas no atendimento a ocorrências. “Principalmente enquanto nos dirigíamos para prestar socorro a acidentes”, acrescenta ele.

Bomba-relógio

Andar lentamente na faixa da esquerda é um comportamento que pode acionar uma verdadeira bomba-relógio no trânsito. Ao deparar-se com tal circunstância, muitos motoristas perdem a paciência e fazem da buzina e do farol alto o estopim para discussões e brigas, que não raro podem acabar em tragédias.

Nessas situações, recomenda Braga, é melhor ter cautela com o motorista infrator. “O ideal é dar um toque de luz ou uma pequena buzinada para alertá-lo, pois a pessoa pode estar andando na faixa de forma desatenta ou até mesmo involuntária”, aconselha o capitão.

Braga enfatiza que tais orientações não visam incentivar as pessoas a aumentar a velocidade de seus veículos nas vias, e sim buscar prevenir acidentes. “Não se pode rodar em velocidades que prejudiquem o fluxo normal do tráfego. Além disso, com a via mais livre, a probabilidade de algo grave ocorrer é menor.”

Velocidade compatível

Andar na esquerda não é proibido, desde que se esteja em velocidade adequada ao local. É o que diz o tenente Jorge Luis Dias, da 4ª Companhia de Trânsito. “O Código não proíbe os veículos andarem na faixa da esquerda, desde que os mesmos estejam em velocidades compatíveis às vias. Se o motorista quiser trafegar em uma velocidade abaixo da normal, obrigatoriamente ele terá de ir para a faixa da direita”, diz ele.

Além disso, acrescenta o policial, não dar passagem quando solicitado é infração de natureza média, podendo o condutor ser autuado e multado, conforme prevê o artigo 198. Mas quais seriam as velocidades compatíveis?. Nesse sentido, o artigo 61 do Código de Trânsito é claro: 80 km/h nas vias de trânsito rápido, que não existem em Bauru, 60 km/h nas arteriais, 40 km/h nas coletoras e 30 km/h nas locais.

As arteriais são vias caracterizadas por interseções em nível, geralmente controladas por semáforos, com acessibilidade aos lotes lindeiros e as vias secundárias e locais, possibilitando o trânsito entre as regiões da cidade. “A Nações Unidas, por exemplo, é considerada arterial onde existem as marginais”, explica o tenente.

Já as coletoras são aquelas destinadas a distribuir o tráfego que tenha necessidade de entrar ou sair das vias de trânsito rápido ou arteriais, possibilitando o trânsito inter-regiões. Exemplos desse tipo são a avenida Duque de Caxias e a rua Rio Branco. “A Duque dá acesso de um lado a outro da cidade”, afirma Jorge Luis. E acrescenta: “As locais são as ruas secundárias existentes dentros dos bairros que, geralmente, não têm semáforo.”

A exemplo do capitão Reginaldo, Jorge Luis também recomenda prudência ao deparar-se com um motorista “tartaruga” na faixa da esquerda. “O correto é dar um toque de luz para alertar o condutor. Se isso não adiantar, o ideal é permanecer na mesma faixa ou mudar de direção e ir embora. Nunca se deve gesticular ou fazer gestos obscenos, pois são atitudes que podem gerar desavenças”, enfatiza ele.

Comentários

Comentários