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Psicóloga lança livro sobre a relação de pais e filhos adotivos

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

Data sancionada recentemente pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, o Dia Nacional da Adoção foi comemorado ontem. O Dia rendeu discussões entre famílias que têm filhos adotivos e se solidarizam aconselhando aquelas que pretendem adotar.

A psicóloga Maria José Barbosa De Gobbi estará lançando no próximo dia 31, no Congresso Nacional de Adoção, em Mogi das Cruzes, o livro “Casos & A...Acasos da Adoção”. O livro aborda a relação entre pais e filhos adotivos.

Formada há 25 anos, a psicóloga se especializou em terapias de famílias com filhos adotivos. Ela faz parte do Grupo Amigos da Vitória que reúne pais adotivos mensalmente para participarem de palestras e conversas sobre o assunto.

Maria José diz que no Dia Nacional da Adoção as pessoas devem aproveitar para refletir sobre o assunto e perceberem que apesar de ser ainda um tabu, não deve ser um estigma. “O Dia Nacional da Adoção foi criado para quebrar esse tabu que persiste nos dias de hoje”, afirma.

Ela conta que os principais problemas enfrentados pelos pais adotivos e seus filhos é o dilema de contar ou não sobre a adoção e a diferença étnica. “Toda criança sabe que é adotiva, os pais contando ou não. É preciso conversar sobre o assunto porque todo o ser humano tem uma origem e a falta dessa origem gera insegurança, ansiedade”, diz.

O Grupo Amigos da Vitória realiza um trabalho de orientação desenvolvido pela psicóloga que dá palestras sobre o tema. Os pais adotivos são convidados a participar das reuniões mensais.

“Casos & A...Acasos”

O livro de Maria José relata sobre as relações entre filho adotivo, pais biológicos e pais adotivos. Ele foi escrito em linguagem simples e objetiva. O público-alvo são pais, filhos e profissionais que vivenciam ou vivenciaram a experiência da adoção.

A psicóloga já atendeu mais de 40 casos de crianças adotadas e tem uma vasta experiência no assunto, portanto o livro é fundamentado em casos verídicos.

A principal novidade do livro é tratar o tema adoção sob o prisma da fábula “Pinóquio”, que foi imortalizada pelo filme de mesmo nome produzido pelos estúdios de Walt Disney na década de 40. Maria José explica que essa escolha se deve ao fato de Pinóquio ser também um filho adotivo. “Assim como o processo de adoção na vida real, a escolha das características do boneco durante sua fabricação e até a transformação dele em criança de verdade espelham etapas da adoção. O marceneiro Gepeto é um pai adotivo”, interpreta a psicóloga.

Família adotiva e unida

A família do filho adotivo Gabriel Ferreira Monteiro, 15 anos, é uma família unida e feliz. Eles superaram todos os estigmas que rondam o tema adoção e encaram positivamente o fato.

Os pais Cristina e Marco Aurélio Monteiro já tinham duas filhas, Flávia e Paola - que vive atualmente no Exterior. Cristina foi quem teve a idéia de adotar uma criança. No início, Marco diz ter relutado, mas depois, envolvido pela Campanha da Fraternidade daquele ano que dizia: “Quem acolhe o menor, a mim acolhe”, acabou concordando com a esposa, mas impôs que eles adotariam o primeiro que desse certo, sem preferências.

Foi assim que eles se registraram na fila de espera por uma criança e, em poucos dias, estavam com o Gabriel em casa. “Foi exatamente como queríamos”, diz satisfeito. Gabriel tem o tom de pele mais escuro que sua família e foi esse o motivo que levou Marco, Cristina e seus filhos até Maria José. “Nós fizemos a terapia em família e o problema foi logo solucionado. Hoje o Gabriel convive superbem com sua cor. Ele se intitula “todinho” e diz que gostaria de ser mais escuro do que é”, conta o pai.

Marco diz que o Gabriel tem os mesmos direitos e deveres de suas irmãs. “Ele leva as broncas que merece levar e tem as regalias que deve ter, sem distinção nenhuma, sempre foi assim”, afirma.

Há pouco tempo Gabriel teve a curiosidade de conhecer sua mãe biológica, mas essa vontade passou e ele fez uma declaração de amor à sua mãe. Disse que mesmo que a mãe biológica aparecesse na sua frente com um caminhão de dinheiro, com muita coisa, não trocaria sua mãe Cristina por nada.

Marco conta que Gabriel é um garoto alegre, que se relaciona muito bem e não tem receio de contar sua história para as pessoas. “Nós percebemos que ele não carrega nenhum complexo”, afirma.

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