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Quanto vale a esperança


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Se o brasileiro forçar um pouco pela memória vai se lembrar o quanto Fernando Henrique representava de esperança em dias melhores, em 1994. Aliás, a esperança não era bem nele, mas no real que deu certo e diminuiu o impacto inflacionário na corrosão dos salários.

Quem encarna hoje essa esperança é o Lula. Enquanto ele sobe nas pesquisas, o Serra desce porque o eleitorado não aceita a sua proposta de continuidade sem continuísmo. Os alquimistas financeiros do governo apostavam em uma economia em aquecimento no segundo semestre deste ano. O que se percebe é uma economia emitindo fortes sinais de que chegará muito mal às vésperas da eleição por culpa do modelo que a orienta. Então a continuidade com ajustes que contemplem mais investimentos sociais não será suficiente para eleger Serra. Ele cumprirá índices mais modesto durante a campanha. FHC já ameaça com a argentinização do Brasil se não elegerem alguém de Harvard, trocado miseravelmente por quem somente sentou nas carteiras pobres da escolinha de Garanhuns. Serra apostará na demonização do Lula e do PT em um eventual segundo turno. Como apostou Fernando Collor na eleição de 1989, e pior, ganhou.

O efeito Lula no mercado financeiro diminuiu. As últimas notícias do Ibope com a queda de Serra, agora empatado com Garotinho, e a disparada do Lula, sequer mexeram com os investidores na Bolsa. Parece que descobriram que a causa não é o Lula. A dialética do sólido que se desmancha no ar sintetiza que aos fundamentos do modelo econômico brasileiro é que não são tão sólidos. De resto, as suspeitas de corrupção que pesam contra seu ex-caixa de campanha podem estar atrapalhando.

Há ainda outro complicômetro. Se o Tribunal Superior Eleitoral continuar fazendo de conta de que os programas dos partidos na televisão têm sido até agora programas de partidos e não de candidatos a presidente da República, Ciro inflacionará em julho seus índices na pesquisa. Deve tomar votos de Serra e Garotinho. Porque os partidos que o apóiam, PPS, PDT e PTB, finalmente aparecerão à farta na telinha, PDT e PTB terão, cada um, 20 minutos em rede nacional. O PPS, dois minutos.

O TSE, certamente, vai querer impugnar. Ciro é do PPS e, em tese, só pode estrelar o programa do seu partido. Lula ficou só no programa do PT e Serra, no programa do PSDB. A estratégia, com o perdão da sugestão, seria colocar a Patrícia Pilar para assumir seu lugar nos programas do PDT e PTB.

Na televisão, sou mais Patrícia. (Zarcillo Barbosa é jornalista e colaborador do JC)

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