O vestibular do meio de ano é uma oportunidade antecipada para quem vai participar da seleção pela primeira vez e uma espécie de repescagem para quem já é experiente no assunto. É a chance que muitos estudantes têm de conquistar uma vaga nas instituições de ensino superior ainda no ano letivo e recuperar o tempo perdido.
É o caso de Paulo Roberto Freitas Vitica, 18 anos, estudante de curso pré-vestibular. Ele vislumbra uma vaga no curso de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e está aproveitando o semestre para dar uma reforçada nos estudos. “Eu estudei em colégio técnico e não tive um conteúdo (da área) de humanas muito amplo. Por isso, optei por fazer um intensivoâ€, explica.
Mesmo não se sentindo muito preparado, ele prestou vestibular para esse curso no ano passado. Como não passou, resolveu tentar novamente no processo seletivo do meio do ano. “Acho que é importante ingressar o quanto antes na universidadeâ€, diz.
Ele salienta que optou pela UnB por ser a única instituição pública a oferecer o curso no meio do ano.
A vantagem, segundo Vitica, é que as aulas para os aprovados começam já em agosto. “Eu não concordo com reserva de vagas, acho que não funcionaâ€, diz, referindo-se às universidades que oferecem o vestibular agora com o objetivo de selecionar alunos para o próximo ano.
A coordenadora de curso pré-vestibular de um colégio de Bauru, Roseli Valera Oliveira Gomes, salienta que quem costuma se candidatar a uma vaga na universidade no meio do ano são aquelas pessoas que estão se preparando há um certo tempo. “Quem não foi aprovado no final do ano, costuma investir no estudo nos seis primeiros meses do ano e se inscrever para uma nova tentativa agoraâ€, ressalta.
José Ranieri Neto, coordenador de curso pré-vestibular de outra instituição de ensino, concorda com Roseli. Para ele, o processo seletivo do meio do ano é uma maneira do aluno recuperar o tempo perdido. â€œÉ uma nova chance de tentar entrar na faculdade ainda no ano letivoâ€, salienta.
O diretor dos câmpus de Bauru e Araraquara da Universidade Paulista (Unip), Geraldo Magela, diz que há uma diferença marcante entre o perfil do aluno que presta vestibular no meio do ano e aquele que se candidata no final do ano. “No final do ano, quem presta vestibular é a meninada, são aqueles alunos que acabaram de se formar no ensino médio. Já no processo seletivo de julho, notamos que há uma presença constante de pessoas mais maduras e experientes. Ou mesmo aquelas que tentaram uma ou duas vezes anteriormente e não passaramâ€, explica.
Vagas abertas
Grande parte das faculdades e universidades que oferecem uma nova oportunidade nessa época do ano é privada. Mesmo assim, é preciso garimpar bem para encontrar aquela que oferece o curso desejado pelo candidato.
Em Bauru, há somente três instituições com vestibular no meio do ano: Unip, Instituição Toledo de Ensino (ITE) e Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb). No total, há vagas para seis cursos - Direito (Unip), Serviço Social (ITE), Pedagogia, Administração, Design e Ciências Contábeis (Iesb).
Para Ranieri Neto, não há indícios de que tenha aumentado o número de instituições que organizam processo seletivo no meio do ano. “Se aumentou, a diferença foi muito poucaâ€, frisa.
Ele destaca como uma das novidades deste ano o vestibular da Unesp de Ilha Solteira, uma das poucas instituições públicas de São Paulo a fazer o processo seletivo nessa época.
As inscrições já foram encerradas e a prova deverá ser realizada no câmpus de Ilha Solteira, nos dias 7, 8 e 9 de julho. No total, estão sendo oferecidas 40 vagas nos cursos de Engenharia Civil, Elétrica, Mecânica e Agronomia.
O estudante André Takeshi, 18 anos, não perdeu tempo e garantiu a sua inscrição. Ele vai prestar engenharia elétrica e está otimista com relação ao seu preparo para a prova. “Eu já prestei vestibular em 2000 e 2001 e acho que consegui ganhar um pouco de experiência. Não estou ansiosoâ€, afirma.
Ele diz que a vantagem do vestibular do meio do ano é a possibilidade de verificar a quantas anda o seu conteúdo informativo. “Dá para tirar uma base de como eu estou me preparando.â€
Mesmo estando mais tranqüilo com relação ao desempenho no exame, Takeshi diz que encara com seriedade a chance. “O vestibular não é apenas um teste de conhecimentos. É o primeiro passo do curso universitárioâ€, enfatiza.