Economia & Negócios

Artigo - Eleições x economia

Reinaldo César Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

As eleições deste ano estão trilhando um caminho diferente do que ocorreu no passado, principalmente se avaliarmos os dois últimos pleitos que garantiram ao Presidente Fernando Henrique Cardoso governar o país por oito anos.

O candidato Lula naquela época possuía neste mesmo período 42% das intenções de voto do eleitor. A diferença é que a rejeição agora é menor.

Mas o que temos de diferente? A condução da política econômica.

O sucesso do plano real foi capitalizado pelo então Senador Fernando Henrique Cardoso. Ele que era Ministro das Relações Exteriores do governo Itamar Franco, foi colocado como condutor de um plano com excelente engenharia, que permitiu eliminar a inflação inercial (aquela que joga para frente a inflação passada).

Lula não teve como se sustentar considerando a conquista da estabilidade nos preços sem congelamento, confisco, etc.

Na segunda eleição (reeleição) o novo amedrontava. Com um discurso indo ao encontro daquilo que a população gostaria de ouvir, ou seja, gerar milhões de empregos (grande falha dos 4 primeiros anos), FHC, escolado, conseguiu vencer a oposição com facilidade.

Observem que o contexto atual é diferente. A estabilidade é importante mas é pouco, e não será capaz, por si só, de conquistar a massa toda (os frutos da estabilidade já foram colhidos). Além disso a classe média está incomodada, por que não dizer, revoltada, considerando o enorme preço que paga para garantir esta estabilidade. Não precisamos ir longe, é só verificar o percentual de endividados: 65% da classe média.

Tributos elevados, baixa remuneração, perda do poder aquisitivo, falta de emprego, são alguns dos elementos que revoltam boa parte da população brasileira.

Do ponto de vista da articulação política a situação também está enfraquecida. O PFL deixou a base governista. Serra não é unanimidade no meio político e muitos avaliam que sua falta de carisma poderá impor perdas significativas na conquista do eleitorado.

A pulverização de candidaturas e o empate técnico de Serra, Ciro e Garotinho, dificultam a ascensão de qualquer um deles.

Restam o tempo de exposição na TV e utilização da máquina do governo. Neste aspecto Lula parece que aprendeu, pois contratou o “marqueteiro” político que transita com muita facilidade no centro, direita e agora esquerda. Seus programas estão mais leves e sua imagem é vendida com uma roupagem que impressiona.

Serra precisará se superar se quiser conquistar o eleitor. Se depender da equipe econômica atual vai ser difícil, pois corte no orçamento em áreas sociais não rendem votos, pelo contrário leva a perda de votos.

É claro que Lula atingiu o ápice na preferência e, se manter líder até outubro, não será tarefa fácil uma vez que será alvo de seus adversários.

O que se espera à partir da definição das candidaturas em junho é que sejam divulgados os detalhes dos planos de governo, notadamente para o setor econômico.

Aí sim, poderemos avaliar se realmente o que os candidatos estão vendendo confere com aquilo que efetivamente farão.

Será um longo caminho até outubro, contudo, se não surgir um fato novo, bombástico, em relação ao candidato líder nas pesquisas, por todas as circunstâncias que cercam esta eleição, a base governista terá muita dificuldade em reverter o quadro sucessório que se apresenta.

Reinaldo César Cafeo é economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon)

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