As escolas da rede pública estadual vão receber R$ 10 milhões para investir na estrutura física e em equipamentos que aumentem a segurança de alunos, diretores, professores e funcionários. Em Bauru, mais 11 unidades serão dotadas de alarmes e circuito interno de monitoramento.
O incremento da parafernália tecnológica de proteção faz parte do Plano de Segurança nas Escolas, lançado no início deste mês, mas está apenas no meio do caminho de conseguir reduzir a violência que se banalizou no meio estudantil. Sem a devida valorização dos profissionais da educação e a disseminação de valores perdidos no seio familiar, o projeto será apenas mais um paliativo para o problema.
Na verdade, o ensino público está tentando um caminho de volta, um resgate de algo que foi muito bom no passado. “As escolas se cercaram, ergueram muros, cortaram a identidade que tinham com a comunidade. Quando era aberta, a sociedade olhava para dentro da escola e esta, por sua vez, enxergava além dos seus limites. As mudanças que todos queremos estão na reconquista dessa interaçãoâ€, analisou Jair Sanches Vieira, dirigente regional de ensino.
Trabalhar com as famílias de uma maneira geral e, especialmente, com aquelas cujos filhos dão problema na escola seria outra necessidade indispensável.
“Medidas isoladas não resolvem. Dotar as escolas de alarmes é excelente, mas é só uma providência a mais, pois não vão ser os aparelhos ou o policiamento que resolverão essa situação complicadíssima que está aí instaladaâ€, sublinhou Júlia Rapanelli Pinho, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Noroeste/Oeste, região que compreende 21 unidades de ensino.
Na opinião de Júlia, as famílias precisam ter consciência da importância da escola e, obviamente, transmitir isso aos filhos. O que se vê hoje em dia, entretanto, são pais denegrindo professores ao invés de respeitá-los para dar o exemplo. A figura do professor como autoridade caiu há muito tempo e isso reflete diretamente na falta de disciplina dentro das salas de aula.
Achincalhados em termos de salário e formação, os professores da rede pública ainda enfrentam a revolta de pais convocados para as reuniões escolares. “Muitas famílias não dão o respaldo que a escola precisa para educar e manter a disciplina. Alguns pais chegam às vias de fato quando um professor critica o filho-aluno. Esses pais distantes e não-colaboradores precisam ser trabalhadosâ€, sentenciou Júlia.
O dirigente de ensino aponta também a falta de limites no ambiente doméstico como fomentadora do mau comportamento escolar. “O que acontece na sala de aula é reflexo do que se permite fazer em casaâ€, destacou.
Para atacar o problema em todas as suas fontes, a Direção Regional de Ensino de Bauru tomará atitudes além equipamentos de segurança. O ponto de partida será no próximo dia 6, quando representantes de associações de moradores estarão reunidos com Jair Sanches Vieira. “Estou chamando todos para dividir o fardo conoscoâ€, metaforizou.
Escola aberta
A proposta mais importante da Direção Regional de Ensino é abrir as escolas públicas para a comunidade. “Quero colocar em discussão a utilização das unidades pelo pessoal dos bairros, através da organização de eventos como jogos entre pais e filhos, corais, cursinhos de interesse comunitário, aulas de catecismo e o que puder contribuir com essa integração. Quando a escola se abre, recebe como resposta o cuidado e o carinho dos usuários. Ninguém vai querer depredar um lugar de convivência comum, de lazer, principalmente nos bairros que não dispõem desses equipamentosâ€, adiantou o dirigente.
As associações de moradores também serão convidadas a integrar o corpo das Associações de Pais e Mestres (APMs) e dos conselhos escolares. O objetivo, segundo Vieira, é incutir a idéia de grupo de pertencimento.