Polícia

Cadeião chega ao recorde: 200 presos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

A Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, projetada para receber 70 presos, abrigava 200 ontem à tarde. Não foi feito levantamento estatístico, mas a Polícia Civil acredita que 200 seja o número recorde de detentos na unidade de Bauru, que há anos sofre com a superlotação.

O número de detentos, cuja média tem ficado na casa dos 180, subiu no final de semana, com a prisão de mais 15 pessoas. “Pelo período que fiquei na direção da cadeia e pelo que me lembro acredito que esse seja o maior número de presos”, afirma o delegado Dinair José da Silva, que respondeu interinamente pela cadeia, ontem.

Apesar da lotação muito acima do tolerável, até o início da noite de ontem não havia sido registrada tentativa de fuga nem protesto dos presos, segundo Silva. A cela de inclusão, onde ficam os presos recém-chegados, por exemplo, estava com 25 homens no final da tarde de ontem.

Para se ter uma idéia da lotação, a cela tem apenas quatro camas - os demais têm que dormir no chão. “Os presos mantiveram-se calmos. Acho que é porque sabem que as obras do CDP (Centro de Detenção Provisória) já começaram e a Febem está para começar a funcionar, o que desafogará a cadeia”, explica.

O delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, não vê, a curto prazo, solução para a superlotação da cadeia. “As dez cadeias da sub-região também não têm mais condições de receber presos de Bauru porque já estão lotadas. Estamos tentando vagas em penitenciárias para os presos já condenados, mas a solução mesmo só virá com a inauguração do CDP”, explica.

O CDP, que está em construção ao lado do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, terá 768 vagas para presos provisórios (não sentenciados). Atualmente, na região de Bauru todos esses presos são recolhidos em cadeias. A previsão é que o prédio, que custará R$ 8,2 milhões, seja entregue no final do ano.

Hoje, de acordo com Ciocca, sete presos condenados devem ser transferidos para presídios de Presidente Bernardes e Avaré. “Eu e o Roberval Fabbro (delegado diretor da cadeia) estamos tentando vagas para os 45 presos condenados em definitivo, que deveriam estar em penitenciária”, conta.

No entanto, mesmo que a Delegacia Seccional consiga vaga para todos os 45 presos condenados, a situação pode não melhorar muito porque a cadeia de Piratininga está prestes a ser fechada. De imediato, outra medida que deve ser tomada para desafogar o Cadeião é transferir alguns presos para cadeias da região, de acordo com o delegado seccional.

Construída na década de 50, a cadeia, além de ser pequena para o número de presos de Bauru e estar localizada na área urbana, apresenta sérios problemas estruturais. O CDP irá substituir o Cadeião, que está superlotado, e também abrigará os presos de nove cidades da região - Agudos, Avaí, Cabrália Paulista, Duartina, Lençóis Paulista, Pederneiras, Pirajuí, Piratininga e Reginópolis. As cadeias dessas unidades, atualmente, abrigam um grande número de presos de Bauru.

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