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Suspeita que assusta


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Impelido por denúncia de que farmácias de várias cidades do País estariam reutilizando seringas usadas em pessoas que tomam injeções em suas dependências, um parlamentar federal requereu ao Ministério da Saúde providências junto aos órgãos competentes no sentido de rigorizarem sua fiscalização nesses estabelecimentos. Ainda que no seu requerimento tenha o legislador situado seu pedido no terreno da simples suspeita, é inegável que o enfoque balançou a tranqüilidade dos que dele tomaram conhecimento, a partir da idéia, que todos costumam alimentar no espírito, segundo a qual “onde há fumaça há fogo”. E balançou por quê? Notoriamente pelo fato de que seringas infectadas são alguns dos principais transmissores de vírus de muitas doenças, principalmente aids e dengue, em virtude do que a denúncia já inoculou nas camadas mais conscientes das populações a psicose do medo de se submeterem a aplicações em hospitais, boticas e laboratórios, além de outras dependências. Muitos estremecem dos pés às cabeças quando o médico lhes prescreve ainda que seja uma simples picada... Nessas ocasiões o pensamento circula célere e, em segundos, o paciente já se sente um contaminado irreversível, mesmo antes de mais nada. São coisas assim dos que, não sabendo ou não conseguindo evitar ilações, em estilo nenhum logram evitar de ver fantasmas à luz meridiana. Vislumbram-nos e são até capazes de jurar pela saúde do pai ou da mãe que os viram em “carne-e-osso”. Comentam inclusive a vestimenta dos tais: estavam vestidos de preto... Exagero exagerado!

O comando do Grupo de Vigilância Sanitária do Ministério emitiu opinião de que a suspeita não procede e que ao menor indício de que os estabelecimentos estejam agindo incorretamente serão enquadrados no Código Sanitário e devidamente punidos de acordo com a lei. Contudo, isso não foi suficiente para restabelecer o sossego de todos por não ter dissipado totalmente a idéia assaltante de que, quando o menor sinal de infração vier a ser detectado, alguém ou muitos já poderão ter sido contaminados e talvez estejam se aproximando da sepultura. A conjectura pode até parecer vontade exagerada de fazer drama. Mas, tomara que os fantasmas não passem mesmo de fantasmas, com todas as letras de seu assustador nome, esperando-se apenas que a fiscalização específica abra bem os olhos, examinando amiúde amostras das seringas utilizadas nas lojas de medicamentos e lembrando-se de que prevenir acidentes é dever de todos. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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