Regional

Polícia investiga carcaças de baterias

Da Redação
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Cabrália Paulista - Dois caminhões dirigidos por funcionários da Acumuladores Ajax, de Bauru, foram flagrados descarregando carcaças plásticas de baterias num galpão em Cabrália Paulista. Segundo informações da Polícia Civil do município, no local seriam depositadas quase seis toneladas do material.

A denúncia partiu de moradores próximos do galpão, localizado na rua Francisco Bueno dos Reis. No momento em que os funcionários foram surpreendidos pela Defesa Civil do município, às 11h, parte da carga de um caminhão já estava depositada no local - e um outro veículo aguardava para ser descarregado em seguida.

O galpão, que estava em condições precárias, teria sido alugado por Valmir Silva Vital, proprietário de uma empresa de reciclagem de plástico em Bauru, há cerca de 15 dias. Segundo ele, o material que estava sendo descarregado seria armazenado para uma futura transferência de sua empresa, que passaria a funcionar em Cabrália Paulista.

Vital, no entanto, não tinha licença da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) nem alvará da prefeitura para armazenar as carcaças plásticas no galpão. “Houve uma desinformação da gente, que tinha que primeiro transferir a licença”, explica.

“A prefeitura não vai conceder alvará para fazer isso (reciclagem) neste local”, adianta Afonso Félix Gimenez, assessor jurídico da prefeitura. “Para nós o problema é esse: eles não têm permissão e trata-se de um produto altamente tóxico”, ressalta.

Para evitar danos ambientais à cidade - a exemplo dos casos de contaminação por chumbo ocorridos em Bauru - Gimenez solicitou a presença da Cetesb, que notificou um auto de inspeção à empresa de Vital e solicitou a remoção do material a um local autorizado pela companhia, além da exigência de uma varredura no local.

“Na Cetesb, eu posso garantir que esse local não é cadastrado para esse tipo de atividade; nem adequado”, afirma Paulo Wilson Pires de Camargo, gerente gerente da Agência Ambiental de Marília, responsável por Cabrália Paulista.

Tanto para Gimenez quanto para os homens da Defesa Civil do município, que flagraram o descarregamento, a maior preocupação é com a possível contaminação por resíduos de chumbo e ácido súlfurico presentes na caixa plástica das baterias. “Para nós, o fato de ser a bateria com chumbo nos causa preocupação, razão pela qual pedimos que isso seja removido da cidade”, diz Gimenez.

O próprio Vital concorda que as carcaças têm resíduos tóxicos. “Em torno de 5% a 7% tem”, afirma. Apesar disso, ele acredita que o material estaria “bem acondicionado” no galpão. “Estando num local onde o piso tem perfeitas condições não tem como contaminar o solo”, argumenta.

Notas fiscais

De acordo com Camargo, a próxima providência a ser tomada pela Cetesb é autuar a Ajax. A princípio, com uma advertência. “Qualquer ação que a Cetesb tomar daqui para a frente, vai ser junto à metalúrgica Ajax”, afirma. Isto porque a Acumuladores Ajax era a destinatária das duas notas fiscais que estavam em posse de Vital, segundo informações da Cetesb e da Polícia Civil de Cabrália Paulista.

Além disso, em depoimento os dois motoristas dos caminhões se identificaram como funcionários da Ajax - um deles estava uniformizado. Ruas acima do galpão em que parte das carcaças foram depositadas, mais três pessoas foram vistas com uniformes da fábrica de baterias. Elas seriam responsáveis pelo descarregamento, segundo informações da Defesa Civil.

A polícia investiga agora o motivo do descarregamento ter sido feito em Cabrália Paulista, já que o destino do material - identificado nas notas fiscais como “sucata plástica” - seria a Ajax, em Bauru. Segundo o escrivão Maurício Umada Zapater, consta que as carcaças vieram dos municípios de Tamarana (PR) e Anápolis (GO).

“Os dois motoristas falaram que receberam uma ordem de serviço da empresa Ajax para transportar a carga até a cidade de Cabrália Paulista”, relata Zapater, que também é vice-prefeito da cidade. “Na verdade, essas notas serviriam para transportar até a Ajax em Bauru, não para trazer para Cabrália”, observa. Segundo ele, a empresa Ajax deverá ser ouvida durante as investigações.

Hoje, um perito da polícia deverá ir até o local, para analisar o material depositado. Se confirmada a toxicidade, os responsáveis poderão ser punidos por crime ambiental.

Ajax promete sindicância

Por meio de sua assessoria de imprensa, a fábrica de baterias Ajax confirmou que faz “serviços esporádicos” com a empresa de Valmir Silva Vital há aproximadamente três anos.

A empresa, de fato, seria uma recicladora de plásticos, instalada em Bauru e devidamente licenciada. O fato das carcaças plásticas terem sido entregues em Cabrália Paulista, no entanto, não era de conhecimento da Ajax.

De acordo com a assessoria, a Ajax também faz reciclagem do chumbo e da caixa plástica das baterias, mas que, atualmente, esse setor - o metalúrgico - está interditado.

A assessoria informou que será instaurada uma sindicância interna para apurar o caso.

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