A Cadeia Pública de Bauru (Cadeião) conseguiu reduzir quase 10% de sua lotação ontem e voltar para patamares de meses anteriores. Foram removidos 16 presos para penitenciárias e cadeias da região, aliviando a situação do estabelecimento prisional, que estava batendo recordes de detentos.
Ontem à noite, o Cadeião estava com 182 detentos, 21 a menos do que terça-feira, quando chegou a abrigar 203 pessoas.
O delegado seccional Antonio Ângelo Ciocca fez uma reunião, ontem pela manhã, com dez diretores de cadeias da região, no intuito de conseguir vagas para os presos de Bauru.
Apesar de encontrar nos outros estabelecimentos uma situação semelhante, com superlotação de presos, Ciocca conseguiu garantir 14 vagas. Dois detentos foram levados para penitenciárias, o que resultou na transferência de 16 pessoas.
Para o diretor do Cadeião, Roberval Fabbro, ainda assim a situação é complicada. “O ideal seria comportar, no máximo, 120 detentos, um número considerado ‘administrável’ para a capacidade da cadeia, que é de 70 pessoasâ€, salienta.
Diariamente, o Cadeião recebe cinco novos presos. Com o feriado de hoje, esse número tende a aumentar e elevar novamente o total de detentos no estabelecimento.
Fabbro destaca que amanhã tentará conseguir novas vagas em penitenciárias, aliviando um pouco mais a lotação.
A solução para o problema está na construção do Centro de Detenção Provisória (CDP), que já foi iniciada ao lado do Instituto Penal Agrícola (IPA). O prédio terá vagas para 768 presos provisórios (não sentenciados). A previsão é de que a obra seja concluída até o final do ano, entrando em funcionamento no início de 2003.
Mais prisões
Para o delegado seccional, Antonio Ângelo Ciocca, a preocupação maior é com os criminosos que estão do lado de fora da cadeia. “Temos que continuar prendendo. O nosso trabalho é solucionar problemas da sociedadeâ€, esclarece.
Ele salienta que a situação em que se encontra o Cadeião deveria ser um incentivo para a redução dos crimes. “Os criminosos escutam rádio, lêem jornal e vêem TV. Eles sabem que a situação lá dentro é ruim. Por isso, não deveriam se arriscar no mundo do crimeâ€, explica.
Ele acredita que, com a transferência dos presos, ficará mais fácil administrar a situação, já que o Cadeião voltará a contar com a média de presos dos últimos meses.