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É a Bíblia falando!


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Toda a comunidade pára hoje, por inteiro, as suas atividades profissionais e, ao mesmo tempo, as de natureza social, para uma evocação profundamente religiosa: - a celebração do Santíssimo Sangue de Cristo, que o venerado Homem instituiu para que se perpetuasse a nobre evangelização de seus irmãos, povos de todos os tempos. Conseqüentemente, aí estão todos comparecendo aos templos e participando de suas múltiplas programações (missas, procissões e cultos) preparadas, desde a Semana Santa, para lembrar o dia em que o Filho do Criador se entregou por inteiro para concretizar o perdão dos pecados humanos, existentes desde o alvorecer do mundo.

Onde se encontra a sua longa história? Está na Bíblia, centro de 70 livros, redigidos em épocas e línguas diferentes e, por isso, estilos os mais diversos, calculando-se que mais de 60 autores disso se tenham ocupado no decurso de mais de mil anos e que a denominação de Bíblia só tenha surgido no início da Idade Média. Agora, ou seja, provavelmente nos últimos seis anos, cerca de 50 filólogos franceses e canadenses buscaram popularizar os temas de suas evangelizações, retraduzindo o importante livro, tirando-os diretamente do grego, do hebraico e do aramaico, e, da mesma forma, acrescentando-lhe descobertas e debates ultimamente ocorridos em seu derredor, para torná-lo o mais rigoroso e científico possível, segundo a oportuna e inteligente aspiração do Vaticano e seus eméritos seguidores. E não unicamente isso, o que já se consideraria importantíssimo, como explorá-lo no sentido de obras literárias e construções de linguagem, porquanto nem sempre são plenamente inteligíveis os seus relatos e despertamentos evangélicos, segundo o entendimento de muitos religiosos. Com 3.200 páginas, ressaltadas com colocações visuais extremamente modernas, a Nova Bíblia gaulesa foge ao estilo, tradicional, da capa de couro e das abas douradas, ao mesmo tempo em que enfoca textos agradáveis de ler, muitos versos livres e em prosa conforme a nossa avançada época. Destaca um observador que “na forma fácil de manusear e nas colocações fluídas e bem reconstruídas são os principais atrativos para os leitores da nova versão”, a qual acaba de ser lançada em Paris pela Editora Bayard. E completa: “Não há intelectual ateu que possa prescindir de lê-la”... Por sua vez, a editora Vozes (brasileira) vem de lançar sua 45.ª edição da Bíblia, tendo como principais diferenças o maior tamanho das letras, o que favorece a leitura. Destaque-se ainda que em outras versões brasileiras da Gênesis lê-se “façamos o homem à nossa imagem e segundo a nossa semelhança”, o que, na nova versão, mudou para “façamos o ser humano à nossa imagem e segundo a nossa semelhança”. Neste dia de Corpus Christi há muito o que pensar das leituras do Livro Sagrado. Tem, realmente! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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