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Alta dosagem de chumbo já atinge 213

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

A Direção Regional de Saúde de Bauru (DIR-10) recebeu mais um lote de resultados de exames de análise da dosagem de chumbo de moradores da vizinhança do setor metalúrgico da Ajax, que está interditado deste o final de janeiro. Dos 116 resultados, 28 apresentaram mais de dez microgramas do metal por decilitro de sangue, o limite tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Agora já são 212 crianças e uma gestante em Bauru com alta concentração de chumbo no sangue. Desde o início da investigação epidemiológica nas imediações na Ajax, já foram divulgados resultados de 636 pessoas. Todas as crianças com alta dosagem do metal no sangue estão sendo atendidas por uma equipe multidisplinar no Centrinho.

Uma delas, a que apresentou maior dosagem de chumbo por decilitro de sangue, está internada no hospital da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu para tratamento medicamentoso. A contaminação por chumbo em todo o Brasil será discutida pela Câmara dos Deputados, em audiência pública.

A audiência, cuja data ainda não foi divulgada, foi solicitada pela Instituto Ambiental Vidágua, que ingressou na Justiça contra a Ajax devido os indícios de contaminação em Bauru. Além da concentração de chumbo no organismo, estão sendo aguardados resultados da análise de amostras de solo, sedimentos e água coletadas próximo da fábrica.

Segundo Rodrigo Agostinho, membro do Vidágua, a Câmara enviou ofício à organização não-governamental (ONG) informando que a contaminação por chumbo será discutida em Brasília. “Temos várias situações parecidas com a da Ajax aqui em Bauru em todo o Brasil. Na audiência pública, todos esses casos serão discutidos, assim como a necessidade ou não de rever a legislação”, conta.

Para Agostinho, o ponto mais importante é o índice limite de chumbo no organismo de funcionários de fábricas de baterias. “O índice utilizado pela norma regulamentadora 7 do Ministério de Trabalho, que é de 40 microgramas de chumbo por deciclitro de sangue, está totalmente defasado. No mundo inteiro o índice máximo aceito é de 20”, frisa.

Além disso, o Vidaguá quer que nas cidades que tenham fábricas de baterias seja obrigatório o exame de sangue para todos os moradores, para detectar o nível de chumbo no organismo. “Em países em que a gasolina contém chumbo é obrigatório o teste. Queremos que o mesmo ocorra aqui no Brasil, nas cidades que tenham a fábrica de baterias”, frisa.

Na quarta-feira será realizada mais uma reunião na Câmara Municipal de Bauru para discutir o caso Ajax. A reunião está agendada para às 14h.

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