A Copa do Mundo 2002 não está sendo motivo de alegria para o comércio informal. Vendedores ambulantes consultados pela reportagem dizem que a procura por artigos alusivos ao evento está registrando nível de comercialização abaixo do esperado. A esperança para eles é que a Seleção Brasileira de Futebol vença o primeiro jogo contra a Turquia, na próxima segunda-feira, e que isso sirva de incentivo à população.
Renato Laudelino, 22 anos, que está vendendo camisas, kits infantis e bandeiras no cruzamento das avenidas Nações Unidas com Rodrigues Alves, afirma que as vendas estão abaixo da média.
“Por enquanto a procura está bem fraca. Talvez, a partir de domingo ou depois do primeiro jogo do Brasil as pessoas se animem a torcer e o movimento aumente. Estou contando com issoâ€, diz Laudelino, que vende camisas não-oficiais da Seleção por R$ 25,00 e bandeiras do Brasil a R$ 12,00.
No centro da cidade, o vendedor Antônio Carlos Estanini, 48 anos, diz que a procura por artigos relacionados à Copa também “não está muito boa†em sua barraca. Uma curiosidade é que as camisas azuis da Seleção Brasileira estão sendo mais vendidas que as amarelas.
“Acho que o pessoal não está muito confiante na Seleção este ano. Mas acredito que a partir de segunda-feira o movimento comece a melhorar, porque nas Copas anteriores as vendas também deslancharam depois que o Brasil começou a jogar. Além disso, estamos no fim do mês e a maioria das pessoas está com o orçamento apertadoâ€, analisa o vendedor.
Mesmo sem poder comemorar um resultado melhor nas vendas, Estanini arrisca um palpite bastante positivo para o primeiro jogo da Seleção Brasileira na Copa: 3x0.
Outra comerciante do segmento informal, Elza Galego, diz que a procura por enfeites alusivos à Copa do Mundo foi melhor no início do mês do que agora. “Vendi muitos balões sanfonados e bandanas estampadas com a bandeira do Brasil há uns 20 dias. Depois, a procura caiu muito. Daqui para frente, tudo vai depender do resultado do primeitro jogo da Seleçãoâ€, arrisca.
Percebendo a falta de motivação dos torcedores, Elza não quis investir pesado na compra de artigos referentes ao maior espetáculo de futebol do planeta. “Preferi gastar pouco e deixar para ir a São Paulo fazer compras somente em caso de necessidade. As bandeiras que estou vendendo foram feitas por mim mesma. Fica mais barato assimâ€, previne-se a vendedora.
Bons resultados
Por outro lado, o comércio formal está comemorando a chegada da Copa. Em uma loja do comércio central, o gerente Paulo Marcelo Carvalho afirma que as vendas estão ótimas, apesar do movimento estar dentro do previsto e sem superação de expectativas. “Para um mês de Copa do Mundo, o volume de vendas está dentro do esperado. Não há uma movimentação extraodrdinária, mas está equiparada às boas datas do comércioâ€, observa.
De acordo com ele, desde a semana passada a procura por artigos relacionados à Copa começou a aumentar significativamente. Para atrair os torcedores, a loja investiu numa promoção para a camisa oficial da Seleção Brasileira de Futebol. De R$ 119,00, preço que era cobrado no início do mês, passou para R$ 99,00 (queda de 16%) no pagamento à vista. O kit infantil com camisa, calção e meias sai por R$ 17,90.
“As camisas são os artigos mais procurados da loja. Em segundo lugar vêm os kits para a garotada. A nossa previsão é de que, após o primeiro jogo do Brasil, se o resultado for positivo haverá uma explosão de vendasâ€, avalia Carvalho. O preço das bandeiras do Brasil variam de R$ 1,99 a R$ 39,00, dependendo do tamanho.
No Bauru Shopping, a vendedora de uma loja especializada em artigos esportivos, Maira Mantovani, diz que a camisa amarela da Seleção ainda é a preferida dos torcedores. Contudo, a diferença para o modelo azul seria bem pequena. “A saída das camisas azuis tem sido ótima, mas as amarelas ainda estão na frenteâ€, reitera.
Brindes
O segmento de brindes é outro que não tem muitos motivos para comemorar com a chegada da Copa do Mundo 2002. Em diversas empresas consultadas pela reportagem a resposta foi de que o movimento está fraco. Algumas nem chegaram a ser consultadas sobre a fabricação de brindes alusivos ao evento.
Uma das raras exceções é a fábrica de etiquetas e adesivos de Oswaldo Teófilo. Segundo ele, o volume de encomendas registrado neste mês está cerca de 20% maior do que no mesmo período de 2001 e também em relação aos demais meses deste ano.
“A maioria dos pedidos é de empresas, que encomendam adesivos para colocar no vidro do carro com o objetivo de distribuir a seus clientes. Mas também tiveram alguns pedidos de pessoas físicas. O crescimento da demanda está dentro das expectativas para o períodoâ€, afirma Teófilo.
Mesmo assim, ele diz que na Copa de 1998 os resultados foram bem melhores. Na mesma comparação de resultados feita pelo empresário anteriormente, ele diz que no mês da Copa passada o volume de encomendas aumentou 35%. Para Teófilo, a população não está muito motivada com a Seleção deste ano. O palpite dele para o primeiro jogo do Brasil, que será contra a Turquia, é de 2x1 para a seleção canarinho.