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Gravidez precoce implica risco para adolescente

Em cada grupo de mil mulheres, com 15 a 19 de anos, mais de 90 tinham pelo menos um filho, em 2000 no Brasil, revelou o censo do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE). Só não supera a taxa de fecundidade entre mulheres de 20 a 24 anos (133 mães em cada grupo de mil) e as de 25 a 29 anos (113 por mil).

Entre as mais velhas, a faixa etária que chegou próxima das adolescentes em termos de fecundidade foi a de 30 a 34 anos: 75 mulheres deram à luz em cada grupo de mil. Nas últimas três décadas, as mulheres de todas as faixas etárias acima dos 20 anos estão cada vez gerando menos filhos. “A taxa de fecundidade caiu 67%”, diz o secretário de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, Claudio Duarte, que atribui essa redução à inserção da mulher no mercado de trabalho.

A tendência se inverte, entretanto, no grupo das adolescentes. Houve um crescimento de 14,7% no número de gestações entre este grupo, somente nas últimas duas décadas. Vinte anos antes, as mães adolescentes não chegavam a 80 num grupo de mil jovens.

Riscos

A jovem corre risco com uma gravidez precoce. É comum durante a gestação, ela sofrer de anemia e pré-eclâmpsia. A ginecologista Natali Maria Alves explica que adolescente necessita de mais ferro para concluir o próprio crescimento e ainda suprir o feto. “Uma mulher anêmica é mais suscetível a infecções”, adverte.

A incidência de pré-eclâmpsia, caracterizada por perda de proteína na urina, aumento de pressão e inchaço, nesta faixa etária não tem ainda uma explicação. A estrutura pélvica da adolescente também não está completamente formada, o que dificulta a passagem do bebê, num parto normal.

O Sistema Único de Saúde (SUS) considera um procedimento de alto risco o parto e a gestação de uma adolescente, informa Duarte. Pelos partos realizados no SUS, o secretário conclui que a gravidez entre adolescentes está relacionada à pobreza.

“Norte e Nordeste, onde se concentram os estados mais pobres, há muitos casos.” No ano passado, na Bahia foram realizados 3.075 partos; no Pará, 2.086; e em Pernambuco, 2.021; somente na faixa etária de 10 a 14 anos. Os casos também foram expressivos em São Paulo (3.521) e no Rio de Janeiro (2.065).

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