A violência na Colômbia não é novidade no noticiário internacional. Guerrilhas comunistas e narcotraficantes formam a espinha dorsal do terror que se abateu sobre aquele país. Tentou-se o caminho da negociação, sem êxito, pois os guerrilheiros não desejam negociar. O povo, por meio da democracia, escolheu uma nova linha de ação contra as guerrilhas, e ela se chama Álvaro Uribe, advogado pós-graduado em Harvard, vereador e prefeito e Medellín, senador e governador do Departamento de Antioquia e filho de uma vítima de assassinato das Farc.
Uribe não esconde o que deseja fazer. Sabe que a estratégia de guerrilhas como as Farc e ELN é ganhar tempo com negociações para continuar a efetuar seqüestros, massacres, extorsões e espalhar o terror pelo país. Logo, sua posição é clara: deseja enfrentar o inimigo com o objetivo de, finalmente, exterminar o foco de instabilidade da Colômbia. O novo presidente não está sozinho, pois recebeu o apoio de 53% da população que lhe concedeu um mandato de quatro anos para agir contra a instabilidade e fornecer um ambiente pacífico para se viver.
As atenções de Uribe devem se direcionar primordialmente para a principal guerrilha do país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. As Farc é uma guerrilha que luta pela implantação do comunismo/socialismo via revolução armada e tem como principal suporte financeiro para suas operações o tráfico de drogas. Em seus campos de treinamento encontram-se cartazes de Che Guevara, Marx e Castro. O grupo foi formado na década de 70 juntamente com outra guerrilha, intitulada M19. Esta última deixou o confronto armado para participar do jogo político. As Farc não seguiram o mesmo caminho, pois foi mantida na clandestinidade. A rede das Farc é maior do que se imagina, pois possui ramificações e contatos com outros grupos armados semelhantes em outros países da América do Sul.
A eleição de Uribe mostra o desespero do povo colombiano que sofre com o tráfico e a violência espalhados, inicialmente no campo, onde está a base das Farc, mas que já se infiltrou pelas cidades. A atuação rígida do presidente contra a guerrilha pode trazer problemas para o Brasil, visto que possuímos cerca de 1.600 km de fronteira com a Colômbia, na sua grande parte, área de florestas. Existe certo temor de que guerrilhas como as Farc e ELN busquem refúgio em território brasileiro por meio de imigração clandestina, como já ocorre no Peru. Este fato pode acarretar diversos problemas, como o confronto com população indígena, absorção da cultura violenta da guerrilha narcotraficante, aumento do tráfico de armas, além do deslocamento do plantio e refino de drogas para o Brasil.
A conjuntura vivida pela Colômbia não é tão distante para muito brasileiros. São Paulo possui números de assassinatos para cada 100 mil habitantes maiores do que Bogotá. O Rio de Janeiro sofre nas mãos de traficantes. Representantes das Farc já foram recebidos por um governador brasileiro. Grupos com táticas de guerrilha invadem propriedades sistematicamente em território nacional. Não há dúvida de que o Brasil caminha para (ou já vive) uma situação de guerra civil não declarada. Resta ao povo brasileiro decidir se deseja que o País atinja a instabilidade vivida na Colômbia para decidir tomar uma atitude. Aqui, o discurso passivo somente agrava a situação. Nosso vizinho elegeu Uribe para exterminar o tráfico e as guerrilhas. Só podemos desejar boa sorte e fornecer apoio para a Colômbia nessa difícil tarefa. (O autor, Márcio Chalegre Coimbra, é advogado)