Tribuna do Leitor

UNIÃO DOS OPOSTOS


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A concepção é um ato perfeito da união dos opostos; a mulher que concebe está a exercer um atributo divino ou é, simplesmente, um instrumento seu? O corpo sabemos ser algo tangível, mas a alma o que é? Será ela a expressão mais perfeita do DNA? Será ela uma construção divina assumindo e pilotando corpos? É algo destinado apenas a dar expressão e estimular a vida? Se o for, tudo tem alma? Será a mulher que concebe apenas um instrumento ou melhor, um laboratório a serviço de divindades? E a alma, é uma entidade autônoma, por si própria gerada, ou é, apenas, uma expressão, um atributo da própria divindade? Sendo uma expressão, ao fenecer o corpo ela se agrega à natureza e fenece com o corpo que se decompõe? Se for um atributo divino ela retorna ao todo divino até se reencarnar em novo corpo? Esse corpo necessariamente será um corpo humano? Afinal, o que realmente somos!

Essas perguntas, acredito vêm sendo feitas desde tempos imemoriais; e, de acordo com historiadores e filósofos, a religião teve origem em dois cultos, o ao fogo e o aos mortos, pois há estreita ligação entre ambos.

Desde as mais remotas civilizações acredita-se em uma segunda existência, depois da atual. A morte não seria o fim, mas uma simples mudança de vida. Segundo a filosofia grega, a alma não passava sua segunda existência em um mundo diferente do que havia vivido mas continuava neste, vivendo aqui na terra já que permanecia ligada ao corpo.

Tinham plena convicção que, quando um corpo era posto em uma sepultura, ali não jazia a morte mas algo vivo. Era costume, no fim da cerimônia fúnebre chamar a alma do morto por três vezes, para que despertasse do sono da morte e assumisse sua nova forma de vida e, por acreditarem convictamente que na sepultura viria um novo ser, nunca deixavam de enterrar com o corpo objetos que achavam que o morto iria utilizar na nova vida. Isso, entretanto, não bastava, era preciso obedecer a alguns ritos tradicionais, com a pronúncia de determinadas fórmulas e orações e cujo condão era o de encerrar a alma no túmulo. Havia igualmente outros ritos cujo efeito pretendido era o de retirar a alma do túmulo e colocá-la a serviço do suplicante.

O pior castigo que se podia dar aos criminosos e a maior desonra que se impunha aos inimigos era deixar seus corpos insepultos, pois suas almas se tornariam errantes sofrendo um castigo quase eterno.

Mais recentemente idealizou-se uma região subterrânea imensa, ali reuniam-se todas as almas dos mortos purgando ou gozando de acordo com conduta que tiveram quando em vida; e, como a criatura, ainda, não se libertava de sua condição humana, precisavam de alimentos que, em determinados dias do ano, mais próximos aos solstícios de verão e inverno, lhes eram ofertados; talvez, esse tenha sido o nascimento do dia de finados que até hoje persiste entre nós.

Com esse rito, os mortos passaram a ser considerados criaturas sagradas e, indistintamente, recebiam o epíteto de bons, santos, etc. Os túmulos passaram a ser os templos dessas divindades e, diante deles, começou-se a exigir altares onde fossem oferecidos sacrifícios. Ainda hoje, na Índia, esse costume persiste.

Na Roma antiga, cada lar abrigava um pequeno altar onde deveria haver um pouco de cinzas e carvões em brasa, ele representava todos os antepassados e a extinção de seu fogo, indicava que a família estava extinta; por isso a obrigação de mantê-lo vivo era do chefe da casa que fazia também o papel de sacerdote. Ninguém entrava ou saia da casa sem antes fazer uma prece diante desse altar. Apenas uma vez por ano, na passagem do solstício de inverno, para o verão, esse fogo era ritualisticamente extinto e reativado novamente através de um rito de passagem, esse rito deveria ser seguido minuciosamente. A forma da prece que se fazia era pedir ao fogo, saúde e prosperidade a si e aos seus.

Embora essa prática conste de livros gregos e romanos ela vem de épocas em que nem os hindus existiam, mas apenas os árias.

Posteriormente, quando esse culto foi relegado a um segundo plano, o fogo tornou-se o mensageiro encarregado de levar aos deuses nossas preces e deles trazer a nós os seus favores; por isso, ainda hoje, acendemos velas.

Quantos caminhos devemos ainda percorrer. A quantos nascimentos devemos nos submeter, quantas perguntas deveremos ainda fazer para vislumbrarmos a verdade? Não sei! Só sei que a verdade caminha a nossa frente e que a concepção é um ato perfeito da união dos opostos. (José Carlos Dias da Silva - RG: 2.252.100)

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