Tribuna do Leitor

O NEGRO E SEU DIREITO HISTÓRICO A VAGAS NAS UNIVERSIDADES


| Tempo de leitura: 3 min

O mundo está em guerra. O mundo sempre esteve em guerra. Isto é visto nos jornais, nos livros de história e de geografia, nos romances históricos, nas epopéias poéticas, nos filmes e até a Bíblia, que é um livro sagrado, relata trechos de guerra, terror, sofrimento, morte e destruição. Todos os países estão em guerra, seja guerra interna, de exércitos e guerrilheiros ou de religiosos, nacionalistas, políticos e terroristas. Enfim, nunca foi segredo para ninguém saber que o mundo é uma guerra. Parece até que foi feito em guerra e que a vida surgiu da dor e da morte. Não concordando com esta guerra e a fim de se distanciarem de seus países de origem, onde é palco de conflitos diários, é que muitos imigraram e imigram até hoje para o Brasil: o país do futebol, da feijoada, do samba e da mulata. Esta entre outras razões faz com que o Brasil seja um país formado por várias etnias e culturas diferentes.

Sabemos então que o verdadeiro e puro brasileiro seria o índio e que os demais são oriundos de imigrações do passado e do presente, mas que vão se fazendo brasileiros através do tempo que passa e pelo apego que vão adquirindo pela nossa terra. De todas essas raças que aqui se alojaram quero descrever apenas as clássicas, isto é, aquelas registradas pelos livros e que fazem parte do nosso passado histórico e da formação da identidade de nossa pátria. Portanto, o branco europeu, o oriental e o negro africano.

Entre os anos de 1500 e 1808, o Brasil recebeu cerca de 470 mil colonizadores portugueses. Eles vieram para cultivar lavouras de produtos tropicais, cuidar dos negócios da colônia ou tentar as mais novas e diversas oportunidades de trabalho, mas a imigração começou para valer depois que o Brasil se tornou independente e o governo do império começou a distribuir lotes de terra nos atuais Rio Grande do Sul e Santa Catarina a fim de expandir o contingente populacional e obter mão-de-obra para as atividades econômicas, porém desta vez quem veio foram os italianos e os alemães para produzirem nestas terras. Nas primeiras décadas do século XX, chegaram os japoneses, que se instalaram principalmente no Estado de São Paulo, especializando-se no cultivo de hortaliças, chá e arroz. De lá para cá vieram suíços, eslavos, espanhóis, árabes, chineses, coreanos, judeus e outros, todos participando da formação do Estado brasileiro; da lavoura, da indústria e do comércio. Todas essas etnias vieram com dignidade e foram recebidas para o trabalho. Alguns se deram melhor do que os outros, construíram riquezas, adquiriram o saber, títulos etc.

Porém, de todas essas raças uma delas chegou em um navio diferente, de um jeito diferente e viveu, ou melhor, sobreviveu de uma maneira diferente. O negro. Veio em um navio chamado de “navio negreiro” e antes de entrar nesse navio ele foi capturado e surrado como se fosse um animal e jogado a bordo. Ao chegar aqui foi vendido através de um tráfico de escravos aos brancos; trabalhou de sol a sol sem direito a nada, nem reclamar ou chorar podia, pois se o fizesse apanhava de chicote amarrado num tronco. Foram séculos vivendo assim, até que em 13 de maio de 1888 chega ao fim a escravidão e o negro entra no mercado de trabalho, mas com o peso do passado sofre com a discriminação racial do branco.

Hoje os negros se organizam em movimentos e sua luta atual é pelo direito de terem uma cota de 20% em vagas garantidas nos vestibulares das universidades públicas. Esta causa é mais que um direito; é uma forma do governo brasileiro indenizá-los pela escravidão do passado e também pela discriminação racial que sofreram ao longo dos anos. (Marcelo Carneiro - RG: 25.312.575-3)

Comentários

Comentários