A Tribuna do Leitor é um dos espaços mais saborosos do JC. Aqui, escreve-se de tudo, são discutidos todos os assuntos. O jornal em si todo é bom de se ler, mas ainda somos muito poucos os que possuímos o hábito diário da leitura. E ler é sempre muito bom, seja o que for. Mas quem efetivamente faz isso hoje em dia? Chego à conclusão de que somos uma ínfima camada da população. Atentem para a tiragem do JC, que hoje deve girar em torno dos 32.000 exemplares (aos domingos).Dentro da população da cidade, somando-se quantas pessoas lêem cada exemplar, temos um número considerável de leitores. Mesmo assim, é muito pouco. São muito poucas as pessoas que fazem algum tipo de leitura por dia. Outro fator, que não quero me ater, é o da qualidade da leitura feita.
No nosso país, a maior fonte de informação é a televisão. E o que é pior, na sua quase totalidade, sintonizados somente em uma rede de tv. O rádio absorve uma outra camada significativa, mas está longe de equiparar-se ao poder alcançado pela tv. Isso é um fator cultural dos mais importantes, além do social, produto da miséria do nosso povo. Muitos não têm nem como se alimentar direito, como vão poder pensar em comprar algo para ler.
Impraticável diante do momento que vivemos. Então, se a maior fonte de informações vem da tv, chego à conclusão de que por mais que escrevamos algo, que tentemos ampliar o debate, ele não vai ultrapassar uma abrangência maior do que já alcança. E a camada, que lê um JC, por exemplo, já tem uma opinião formada sobre o tema discutido. Mudanças de opinião são raras. Quero dizer, que estaremos sempre limitados, não conseguindo dessa forma chegar ao grosso da massa, àquelas pessoas que só recebem informação pela tv e que são as que justamente decidem as eleições.
Isso já é fonte de preocupação de muitos. Não deve inviabilizar a continuidade do debate. Ele sempre é importante, mas estaremos ‘chovendo no molhado’. Por esse motivo é que os candidatos à Presidência dão tamanha importância para a propaganda na tv. Eles sabem que é a única forma de atingir a camada mais volumosa e menos esclarecida da população. Alguns candidatos a níveis locais, estão por aí nos bairros, pagando cerveja, promovendo churrascos e distribuindo presentinhos, numa tentativa de aproximação das mais nefastas, pois só estão contribuindo para aumentar a distância que os separam. É o toma-lá-dá-cá que infelicita esse país. Esse povo marginalizado, injustiçado e expoliado é novamente muito assediado, pois decide os pleitos, sendo no voto deles que reside a ‘galinha dos ovos de ouro’ das próximas eleições. Está começando o período das barganhas e o povo, na sua sabedoria, qualquer dia desses vai dar um troco bem dado para quem se aproveita de sua suposta ingenuidade. E por que não esse ano?
Cuidado, senhores da verdade. (Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2)