Tribuna do Leitor

QUANDO O CRIME COMPENSA


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Acabo de ler, na Revista Época, a história da guerrilheira Vera Sílvia Magalhães, que diz ter roubado automóveis, assaltado supermercados e bancos e participado de seqüestro. Por todos esses crimes confessados, com certo orgulho, por ela mesma, vai agora receber do governo brasileiro uma pensão de 20 salários mínimos. E não é que a referida senhora esteja na miséria, não. Ela é aposentada por invalidez do Governo do Rio de Janeiro, conforme nos informa a mesma reportagem. Em trinta e dois anos e meio de trabalhos prestados honesta e religiosamente ao Estado de São Paulo, jamais ganhei sequer a quarta parte disso e ainda o Governo me deve boa parte desse parco salário e não me paga, apesar de ter ordem do tribunal para fazê-lo.

Bem mais negócio é ser desordeira e marginal do que ser funcionária pública exemplar, daquelas que trabalham e batem ponto cotidianamente, cumprindo com as obrigações que lhes são atribuídas.

Também estou sabendo que cobradores de ônibus que lesam o patrão, deixando a catraca livre e dando ordem ao usuário para pagar a ele e seguir em frente, lesando também o usuário, ao ter comprovado o seu roubo, ou furto ou que outro nome se queira dar, o patrão não pode dispensá-lo por justa causa e para se livrar do ladrão tem de lhe pagar encargos trabalhistas que, dependendo do tempo de serviço que tenham, dá um bom dinheiro e assim ele é também recompensado por ser desonesto, além de incentivar outros, talvez até antes bons e velhos funcionários, a fazerem o mesmo para ganharem mais.

Depois não sabem porque a violência e o crime aumentam de forma assustadora; todos estão vendo, no dia-a-dia do mundo atual que o crime compensa, sim, e que o honesto no fim é que paga as contas e tem até de premiar desonestos, que levam vantagem sobre os honestos e até à custa deles. (Isolina Bresolin Vianna - Associação Paulista de Imprensa nº. 1333).

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