Bairros

Apesar de R$ 7 mi, asfalto é problema

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

As obras de pavimentação, recape, tapa-buracos e reforma do asfalto deteriorado, iniciadas recentemente pela Prefeitura de Bauru e que custarão R$ 7 milhões, não têm sido suficientes para atender à demanda da população. As reclamações vêm de bairros como o Parque Santa Edwirges, onde várias ruas de terra não constam no plano de asfalto, e de vias de tráfego intenso, como a Floresta e a Duque de Caxias, onde há dias o pavimento deteriorado foi retirado em vários trechos e ainda não foi recolocado outro.

A reclamação é quanto à morosidade das obras. Na altura das quadras 17 e 18 da avenida Duque de Caxias, por exemplo, a raspagem do asfalto velho, feita no início da semana passada, aumentou o risco de acidentes, segundo motoristas. O mecânico Luiz Carlos Pereira, que passa diariamente pela via, diz que já derrapou com seu carro sobre as pedras soltas no local.

Além disso, frisa, até pedestres estão sujeitos a acidentes. “Quem está na calçada pode ser atingido por uma das pedras soltas, que pulam no momento que passam veículos pesados”, ressalta. Maria Tereza Botelho Feitosa, outra motorista que passa pelo local, diz que o risco maior de acidentes é à noite.

A rua Campos Salles, onde o asfalto foi raspado há mais de dez dias, o recape está sendo finalizado. “Agora está ficando bom, mas foi difícil agüentar a poeira por tantos dias. Acho que o trabalho teria que ser feito por partes”, opina o comerciante Clóvis Godoy.

Poeira também é a principal reclamação de comerciantes da rua Floresta. O tapeceiro Antônio Donizete Ribeiro de Freitas diz que teve que parar a reforma de um estofado branco. “Eu imaginava que iriam raspar o asfalto e colocar outro no mesmo dia, mas já faz uma semana que está esse poeirão. Não tenho jeito de trabalhar e até gripe estou pegando por causa da poeira”, frisa.

Elias Sabila Raffoul, dono de uma loja na quadra 2 da rua Floresta, lembra que nos primeiros dias, quando as pedras estavam soltas, o perigo de acidente era grande. “Agora, com o passar dos veículos, quase todas as pedras já saíram”, ressalta.

Já nos bairros, o problema é a falta do asfalto. Apesar de terminada a época de chuvas há dois meses, ainda é muito difícil transitar pela alameda Sparta, no Parque Santa Edwirges.

Um buraco no meio da rua, por onde corria a enxurrada, atinge quase toda a extensão da quadra 3. “A chuva parou faz tempo, mas ainda temos que jogar o carro na calçada. Estamos cansados de pedir para arrumar. Acho que só o asfalto resolve e estamos dispostos a pagar, a fazer o plano do asfalto comunitária”, diz Dalber Alexandre da Silva, que mora na quadra 3.

A menos de uma quadra do Núcleo de Saúde do Santa Edwirges mora o pedreiro Israel Ismael de Oliveira, que há anos reivindica a pavimentação da via, a alameda Licurgo. “Essa rua é o trajeto mais curto para quem mora no Jaraguá e no Fortunato e vai ao núcleo de saúde. Mas como sempre tem buraco e muita areia, os carros, e até as ambulâncias, acabam fazendo outro caminho, muito mais longo”, conta.

Recentemente, relata Oliveira, uma mulher com uma criança ao colo caiu em um buraco da via. “Ela estava passando por aqui para ir ao núcleo de saúde”, lembra. “Moro aqui há oito anos e desde então estou pedindo o asfalto e olhe que são só três quadras. Mas o que fazem é jogar areia nos buracos”, afirma.

Preocupado com novos buracos, o também pedreiro Pedro Evangelista de Paula despeja na rua pedaços de tijolos que sobram da casa que está construindo. “Aqui todo mundo aproveita entulho para tapar buraco”, afirma.

Na última sexta-feira, um grupo de moradores do Parque Santa Edwirges, em caravana, foi ao Palácio das Cerejeiras cobrar asfalto e obras para o bairro. Vivaldo Pereira Martins, presidente da associação de moradores do bairro, quer que os R$ 295 mil repassados pela Defesa Civil à prefeitura sejam empregados em obras no bairro.

Martins questiona o porquê a verba, que chegou em março, ainda não se transformou em obras.

“Assessores do prefeito Nilson Costa anotaram nossos pedidos, que incluem as galerias pluviais na alameda Cartago e a conclusão da creche, que está com as obras paradas. Se a gente não tiver resposta, vamos fazer outra comitiva”, alerta. Marcos Máximo de Oliveira, que mora na quadra 2 da rua Edson Pereira Leite, no Parque Jaraguá, é outro que cobra asfalto.

Ele explica que a rua de sua casa não tem buracos, mas o problema é a areia acumulada. “Tem dias que não consigo sair de casa com minha caminhonete por causa da areia. Já chegou a encalhar várias vezes. O ideal seria o asfalto, mas enquanto isso, a gente espera pelo menos que as máquinas retirem a areia”, afirma.

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