Economia & Negócios

Para bancários, intervenção na Previ é atitude política

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região está avaliando como golpe político a intervenção decretada anteontem pelo Ministério da Previdência Social no maior fundo de pensão da América Latina, a Previ - entidade dos funcionários do Banco do Brasil. Com a medida, o fundo passou a ser administrado pelo ex-secretário adjunto de Previdência Complementar, Carlos Eduardo Esteves Lima.

O presidente do PSDB em Bauru, Ricardo Carrijo, diz que trata-se apenas de seguir o que determina a legislação e que os comentários sobre possíveis razões políticas que teriam resultado na atitude do governo eram esperados por se tratar de período de eleições presidenciais. Em nota oficial, o ministério afirmou que a Previ descumpriu a lei 108, que trata das relações entre fundos de pensão e empresas estatais.

“No nosso entendimento, essa intervenção tem caráter totalmente político e não administrativo. Para o sindicato e a Confederação Nacional dos Bancários, a atitude do governo tem três grandes motivos. Um deles seria o de tornar a Previ totalmente à prova de vazamento de informações. Isso porque ela foi envolvida em dezenas de privatizações pelo País e tudo indica que teriam sido feitas com base em irregularidades”, diz Marcos Aurélio Silvestre, diretor do sindicato.

Entre os processos de privatização citados por ele estão o da Companhia Vale do Rio Doce e da Telebrás. Para o sindicato, o governo teria a intenção de impedir a saída de informações envolvendo o ex-gestor da Previ, Ricardo Sérgio de Oliveira, e o pré-candidato do PSDB à presidência da República, José Serra. O objetivo seria evitar possíveis arranhões na candidatura de Serra.

Eleições x Previ

Outro motivo apontado por Silvestre também tem relação com as eleições. “A Previ administra cerca de R$ 38 bilhões. Sua gestão era dividida entre representantes dos funcionários e da direção do Banco do Brasil. Com a intervenção, o governo passa a ter maioria. Para nós, o governo deverá usar a Previ no processo eleitoral para forçá-la a investir numa determinada empresa, que posteriormente apoiaria a candidatura de Serra”, avalia Silvestre.

O terceiro motivo, na visão do Sindicato dos Bancários, seria para atender às reivindicações do banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity. Denúncias veiculadas na imprensa nacional dizem que o empresário teria se reunido com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no dia 10 de maio, criticando os fundos de pensão e exigindo a intervenção na Previ.

“Assim como o Ricardo Sérgio tinha grande influência sobre a Previ, o Daniel Dantas também tem, tanto na Previ quanto em outros fundos de pensão. Ele teria forçado o governo a fazer essa intervenção para que a Previ continue trabalhando em parceria com o Opportunity nos investimentos que Dantas pretende fazer”, alfineta Silvestre.

De acordo com ele, nos próximos dias a Confederação Nacional dos Bancários e outras entidades sindicais ligadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT) ingressarão com medidas judiciais para tentar derrubar a intervenção. Além disso, o sindicato fará uma campanha de denúncias junto à população.

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