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Atuação de pais vira plano de ensino

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

O 1.º Projeto Cidadania na Escola, promovido pela Associação de Pais e Mestres (APM) da Escola Estadual Ada Cariani Avalone, localizada no Núcleo Mary Dota, deverá ser adotado no plano de ensino do colégio para o ano que vem. “O evento está tendo um resultado muito positivo e deverá fazer parte do cronograma da escola em 2002”, ressalta a diretora do estabelecimento de ensino, Maria Adélia Guarnetti Quaggio.

O projeto está sendo realizado durante esta semana. O objetivo, segundo Silvio Luís Arruda, pai de aluno e integrante da APM, é trazer a família para a escola e promover a melhoria do ensino. “A participação dos pais na vida escolar da criança é fundamental para a sua educação”, salienta.

O ensino - principalmente nas escolas públicas - já não produz mais o mesmo resultado que há cerca de 15, 20 anos. Falta de respeito com professores, desinteresse por parte dos alunos e aprendizado falho são as principais conseqüências da desestruturação do ensino público no País notada pelos organizadores do projeto.

Depois de admitir que a culpa não pode ser atribuída apenas à escola, os pais de alunos da escola Ada Cariani Avalone decidiram organizar o evento.

De acordo com Arruda, nesta edição o projeto está sendo realizado com um “gosto de improviso”. “Ainda não temos muita noção de como pôr em prática todas as nossas propostas. Mas estamos colocando mãos à obra para conseguir chegar a um objetivo comum”, frisa.

O evento inclui palestras com a participação de pais, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, funcionários da escola e professores.

Entre os temas abordados estão “Responsabilidade da família com a escola” e “Cidadania na Escola”.

Acompanhando de perto

De acordo com Sara Tenreiro Silvar Bilancieri, mãe de uma aluna da escola e integrante da APM, muitas famílias ainda resistem a se aproximar mais da vida escolar do filho. “Tem muita gente que acha que a escola tem a obrigação de promover a educação sozinha”, salienta.

Ela diz que sempre houve uma troca de “acusações” entre professores e pais. “Um sempre achava que o outro estava falhando. Mas, ninguém fazia nada para reverter a situação”, diz.

Para ela, isso é um dos motivos que levou o ensino público a chegar no ponto em que está. “Faltam regras para as crianças e adolescentes. Se não têm medo de punição, de nota baixa, de advertência, as crianças fazem o que querem”, ressalta.

Sem tempo para acompanhar o desenvolvimento dos filhos na escola, os pais acabam não vistoriando como o ensino está influenciando na educação deles. “Os pais ainda têm uma visão distorcida da realidade. Muitos acreditam que a falta de vontade das crianças para o aprendizado é responsabilidade apenas dos professores e da grade curricular da escola”, destaca.

Ele salienta que, se a família não interagir com o que é passado na escola, a educação não vai funcionar. “Até mesmo porque o modelo econômico que temos dá uma falsa idéia de que estudar não leva a nada”, destaca.

Arruda lembra que as escolas devem promover ações para atrair os pais, adequando horários e temas que interessem a eles. Em contrapartida, a família precisa se conscientizar da sua participação na educação e contribuir para a melhoria do ensino.

Hoje, a partir das 10h, haverá a participação do Corpo de Bombeiros, abordando temas ligados a segurança e prevenção de incêndios.

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