A partir da próxima segunda-feira existe a possibilidade de professores, funcionários e estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) entrarem em greve por tempo indeterminado. A definição deve ser conhecida amanhã, após ser realizada uma reunião do Fórum das 6. Tudo vai depender do posicionamento do Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp), segundo informa o presidente da Associação de Docentes da Unesp (Adunesp) em Bauru, Milton Vieira do Prado Júnior.
Anteontem, os professores do câmpus local decidiram, em assembléia, apoiar a contra-proposta elaborada pelo Fórum das 6 (seis universidades públicas do País) para definir o reajuste salarial reivindicado pela categoria. O objetivo é manter o índice de 16%, mas de forma a ser aplicado 9,68% de imediato (referente à inflação calculada pelo Dieese no período de um ano) e o restante em setembro, com acompanhamento da progressão do ICMS no segundo semestre.
A decisão foi tomada em assembléia unificada, da qual participaram 550 estudantes, 100 funcionários e 60 professores do câmpus de Bauru. Segundo o presidente da Adunesp, se não houver uma definição até amanhã poderá ser deflagrada greve a partir da próxima segunda-feira.
De acordo com Prado Júnior, hoje o Fórum das 6 fará uma reunião para avaliar as assembléias realizadas em todos os câmpus da Unesp, Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Campinas (Unicamp). Amanhã, uma nova assembléia será realizada em Bauru.
“O objetivo da reunião de amanhã (hoje) é levantar o quadro geral para definirmos uma possível greve a partir do dia 10. Na seqüência, para amanhã está marcada outra assembléia em Bauru para decidir a situação, dependendo do resultado da reunião do Fórum das 6. Se nada mudar até amanhã por parte do Cruesp, certamente haverá greveâ€, diz o presidente da Adunesp.
Ato
No dia 13 de junho, em São Paulo, professores do câmpus de Bauru participarão de um ato que será realizado em frente à Reitoria da Unesp. A mesma atividade será feita por docentes das outras duas instituições públicas de ensino superior do Estado, USP e Unicamp.
“Depois disso, unindo o movimento ao de outros sindicatos do funcionalismo público, seguiremos em passeata até a Assembléia Legislativa (AL). O objetivo é incluir uma discussão na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para que sejam liberados mais recursos às universidades públicasâ€, observa Prado Júnior.
De acordo com ele, já está marcado para os dias 17 e 18 deste mês a realização de um seminário, na AL de São Paulo, para discutir o projeto do Cruesp de expansão de vagas para professores, que seriam abertas com a criação de novos câmpus da Unesp. Para a preparação deste seminário, hoje será realizado um debate no câmpus de Bauru, às 19 horas.
Pauta unificada
Além da contra-proposta dos professores de dividir a aplicação do índice de reajuste salarial de 16% em duas etapas, também está em jogo a pauta unificada de docentes e funcionários. “Não estamos discutindo apenas índice de reposição salarial. É fundamental a discussão da pauta unificadaâ€, acrescenta Prado Júnior.
A campanha salarial dos professores da Unesp já resultou em duas paralisações no câmpus de Bauru, nos dias 17 e 22 de maio. Na primeira vez, a manifestação foi em repúdio pelo fato do Cruesp não ter aberto negociações, já que a pauta de reivindicações foi protocolada em 16 de abril.
Na segunda, foi em protesto pela contra-proposta do conselho, de reajuste de 6,43%. No dia 27 de maio, em assembléia unificada foi negada a segunda contra-proposta do Cruesp, de 8%, que havia sido apresentada no dia anterior.