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Aborto, problema social?


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Considera-se que a quantidade excepcional de abortos humanos, que se sabe existir no mundo, sem exceção de comunidades, ocorre principalmente por razões éticas, econômico-sociais e até psicológicas. E então se pergunta: por que excepcional? Por que não se concebe que numa sociedade que alcançou tantos avanços incomuns, desenvolvendo-se em setores realmente importantes da vida que lhe foi deferida pelo Criador, aconteçam estatisticamente 45 milhões de abortagens por ano no grande universo. Para os que não queiram adentrar num raciocínio profundo sobre o que o surpreendente algarismo representa na ordem das coisas bastar-nos-á explicar que ele, se distribuído pelos 365 dias de cada calendário, soma, de forma assustadiça, mais de 112 mil interrupções de gravidez a cada 24 horas, na totalidade da Terra, ou sejam, aproximadamente, cerca de 5.000 por hora, 80 por minuto ou 10 em cada quatro segundos.

No Brasil, o vexatório fenômeno (podemos classificar o problema como fenômeno?) é, também, elevadíssimo, anualmente, calculado em uma média de 4,5 a 6,0 milhões. Além das parteiras, que executam o “trabalho” com chás abortivos e outros métodos às vezes bem primitivos, existem “clínicas especializadas”, algumas bem simples e outras dotadas até de aparelhagem sofisticada e estilos modernos. Um Congresso sobre a Fertilidade Humana, realizado em Miami, Estados Unidos, indicou a existência de mais ou menos três mil dessas clínicas em nosso país. Considerando-se que o coração de um gestante começa a pulsar no 25º dia após sua concepção, pode-se concluir, indubitavelmente, sobre a quantidade fabulosa de existências que são sacrificadas todos os dias e todas as noites, a partir do próprio ventre materno, antes do último mês pelo menos, ainda que, segundo a Medicina, a provocação de uma delivrance é sempre um alto risco quando empreendida após as 12 primeiras semanas de engravidamento. Em qualquer tempo, no entanto, a ação será algo perigoso, sem dúvida, para a precipitada gestante, dependendo de suas condições de saúde. Muitas delas contraem sérias infecções ou mesmo partem para a morte em razão das complicações do gesto.

Conta-se, então, que se localiza aí um dos mais graves pecados sociais existentes na estratosfera, desafiando pesadamente a sociedade, encerrada em seus múltiplos egoísmos e indiferente ao valor de sua própria existência. Verdadeiramente, milhões vêm atingindo e agredindo assim violentamente a civilização, face ao que se chega a uma determinação: ou solucionamos nossos problemas através do amor ou aumentamos dia a dia essa violência que se denomina morte. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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