Regional

Presos ameaçam rebelião em Botucatu

Da Redação
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Botucatu - Um princípio de rebelião na Cadeia Pública de Botucatu, ontem pela manhã, resultou na suspensão da visita aos presos, revista nas celas e tumulto em frente ao local. A Polícia Militar foi solicitada para reforçar a segurança nas proximidades da cadeia, onde muitos familiares aguardavam notícias dos parentes presos. Não houve registro de feridos.

Segundo o delegado Júlio César de Almeida Teixeira, diretor da Cadeia Pública, os detentos começaram a ficar nervosos por volta das 8h, quando alguns familiares já estavam dentro da cadeia fazendo a visita. “Os presos, pela manhã, ameaçaram fazer rebelião, tomar réfem, visitas, passaram a xingar os carcereiros e a me xingar”, relata Teixeira.

O delegado afirma, no entanto, que o motim não chegou a se consolidar. “O que houve foi um príncipio de ato de indisciplina dos presos”, afirma. Em seguida, as visitas que haviam entrado foram levadas para fora e os presos, já controlados, tiveram suas celas revistadas. Segundo Teixeira, foram encontrados vários estiletes.

De acordo com o delegado, um “ato generalizado de indisciplina” como o da manhã de ontem não ocorria na Cadeia Pública de Botucatu há mais de três anos.

Superlotação

No momento do príncipio de rebelião, a cadeia estava com 131 presos - mais que o dobro da capacidade, que é de 60. De acordo com Teixeira, o problema da superlotação não é novo. “Já estamos assim há seis meses ou mais”, afirma.

Entre os detentos, o delegado estima que 30 a 40% deles já estão condenados, mas ainda aguardam vagas em penitenciárias para serem transferidos. “Temos passado solicitações à Secretaria da Administração Penitenciária, solicitando vagas para os presos já condenados, para a gente conseguir diminuir esse número aqui”, relata.

Para Teixeira, a instalação de um Centro de Detenção Provisória (CDP) poderia solucionar o problema. O CDP que está sendo construído atualmente em Bauru, por exemplo, terá capacidade para 768 detentos aguardando julgamento e tem como objetivo desativar o também superlotado Cadeião da cidade. “Botucatu também está precisando de um CDP”, diz.

O delegado afirma que alguns detentos da Cadeia Pública inclusive já passaram por penitenciárias, fugiram e foram recapturados na cidade. Além disso, há presos originários de outros municípios que foram presos em Botucatu e continuam aguardando transferência. “Que eu saiba, a cadeia nunca teve tanto preso assim”, ressalta.

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