Um misto de surpresa e nojo. Essa foi a reação das pessoas ao ouvirem a frase “Olha a água do rio Bauru†e serem abordadas por um grupo de pessoas que oferecia garrafas de água poluída, ontem pela manhã, em frente ao Departamento de Água e Esgoto (DAE).
Para esclarecer o motivo da oferta da água poluída, como se fosse potável, os integrantes do Instituto Ambiental Vidágua, que representavam vendedores, completavam: â€œÉ R$ 1,00, para ajudar a construir a estação de tratamento de esgotoâ€.
O objetivo do Vidágua com a oferta de água poluída na Semana do Meio Ambiente foi abrir a reflexão sobre a necessidade de Bauru tratar o esgoto que produz. “Nossa proposta foi mostrar como a água do rio Bauru está poluída, para que as pessoas cobrem ações práticas no tratamento de esgotoâ€, diz Ivy Wiens, conselheira da ONG.
A distribuição das garrafas de água do rio Bauru fechou a vigília que durou 14h30 feita pelo Vidágua em frente ao DAE, uma maneira de cobrar o tratamento de esgoto. Membros da ONG passaram toda a noite de quarta para quinta-feira acampados em barracas no local.
A prefeitura, que assinou um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público, tem até junho de 2004 para tratar o esgoto de Bauru sob pena de multa diária. Em momentos considerados de pico, como no início da noite, a cidade produz quase mil litros de esgoto por segundo, de acordo com o DAE.
Cerca de 90% desses dejetos caem no rio Bauru - os 10% restantes são despejados no rio Batalha, que fornece água para 43% da cidade, em pontos abaixo da captação. A construção da estação de tratamento e a instalação de interceptores e emissores estão orçadas em R$ 57 milhões, segundo Nucimar Borro Paes, diretora de planejamento do DAE. Por enquanto, a autarquia não tem verba para iniciar as obras.
De acordo com Ivy, nem todas as pessoas abordadas quiseram levar a garrafa de água do rio Bauru para casa. “As crianças, principalmente, ficaram espantadas com a cor da água, que é cheia de resíduos de esgoto. Alguns questionaram se era água do rio Bauru mesmo e outras recusaram a garrafaâ€, conta. “Mas muita gente, durante a noite, parou para conversar e dar apoio a nossa iniciativaâ€, completa.
Os ambientalistas aproveitaram para também abordar alguns funcionários do DAE quando eles chegavam para o trabalho. Segundo Ivy, o presidente da autarquia, Luiz Augusto de Castro, Nucimar e o secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, solidarizaram-se com a manifestação do Vidágua.