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Romero, 150 anos!


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Estão acontecendo os 150 anos do nascimento de Sílvio Romero, que veio ao mundo, em 1851, em uma cidade de denominação curiosa - Lagarto - localizada no simpático Estado de Sergipe. A intelectualidade brasileira ignora quem foi esse homem? Não, não pode desconhecê-lo, pois a nação o considera, ainda hoje, um dos principais formuladores do seu pensamento, graças à sua participação intensiva em soma enorme de atividades profissionais, sociais e culturais, citando-se entre elas as de jornalista, juiz, crítico literário, ensaista, folclorista, promotor, poeta, filósofo, etnólogo e polemista, entre outras, a partir das quais renovou e interpretou, junto com o igualmente lembrado Tobias Barreto, os primórdios e primícias da nossa cultura, tendo como complemento uma crítica sociológica de caráter positivista. O que mais se poderia pretender de sua ilustre figura? Haveria mais alguma coisa que se desejasse dela? Transferindo-se para o Rio, em 1875, lá repetiu a atividade jornalística que iniciara no Sergipe, colaborando em “O Repórter”, cujas páginas valorizou inserindo nelas sua famosa série de perfis políticos, que figura nos anais do periodismo patrício. Quantos livros escreveu e editou? Exatamente 63, que se diria ter sido um para cada ano de quem foi, elogiavelmente, personagem de primeira grandeza na nossa vida cultural no decurso da metade do século 19, em função do que realça, com absoluta clareza, o quanto foi ele importante para as arremetidas do Brasil em muitos sentidos, mercê do dinamismo de suas idéias, calcadas em uma notória propensão para o brasileirismo. A propósito, um crítico, falando de Romero, realçou há pouco tempo: “Ele não queria saber do que fosse autenticamente índio, negro ou português, mas, sim, das coisas que surgiam do cruzamento destas e outras culturas, de onde sairia a identidade nacional. Sua preocupação era o povo brasileiro como um produto sociológico especial”. Só por isso, escrevia Romero, em 1888, na sua História da Literatura Brasileira: “Se a questão é de amor para com as raças que constituem o nosso povo, por que motivo não se estuda o negro? Por que não se estudam as línguas dos negros, sua poesia, seus contos anônimos, seus usos e costumes, suas adagas, suas idéias religiosas, etc.? Ninguém tem coragem de estudar o negro para não passar por estudioso de casta!”

Exatamente por tais motivos há que se tecerem encômios sem dúvida merecidos à idéia da editora da Universidade Federal do Sergipe, em franco desenvolvimento, tendo em vista publicarem 21 volumes a obra completa do grande intelectual, considerando que, ainda segundo o referido crítico, “o Brasil se conhece pouco e tem o vício de importar conhecimentos de matérias acríticas, esquecendo-se de que tem uma cultura rica, ainda por ser explorada”. E razões para dizê-lo lhe sobram, não podendo ser contestado por Romero, que nos deixou em 1914. É também a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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