O hábito de comer em excesso num período e restringir drasticamente a dieta em outro causa uma grande confusão para o metabolismo humano. A afirmação é da diretora do Serviço de Nutrição do Hospital de Reabilitação das Anomalias Craniofaciais (Centrinho/USP), Suely Prieto Peres.
Segundo ela, quem busca saúde e beleza deve adotar uma dieta alimentar balanceada como opção de vida e não fugir dela, seja em qualquer estação. A orientação é a mesma para as pessoas que comem pouco durante a semana e abusam aos finais de semana.
“O organismo fica meio maluco. Cinco dias eu como pouco, dois dias eu como o dobro, depois reduzo de novo e o metabolismo não se organiza. Então, se você vai comer 1.000 calorias a mais no sábado e domingo, é preferível distribuir essas 1.000 calorias durante a semana toda, mas mantendo uma dieta equilibrada sempreâ€, ressalta.
Peres comenta que manter-se acima do peso é menos danoso à saúde que engordar e emagrecer alternadamente (chamado efeito sanfona). “Mas estamos falando de um pequeno sobrepeso, não de obesidadeâ€, esclarece.
Preparado para funcionar ritmicamente, o organismo pode criar “estratégias†contra tantas oscilações e resultar em prejuízos à saúde, como o acúmulo de gordura.
Se o corpo recebe sempre as mesmas quantidades calóricas, nos mesmos horários, ele “aprende†a armazenar a quantidade exata de calorias de que vai precisar e dispensa o excedente.
Ao contrário, quando a alimentação é confusa, o cérebro interpreta que tem que armazenar o máximo possível de energia porque não sabe quando receberá mais combustível e se será suficiente. Então, ele ordena o depósito das gorduras localizadas, por exemplo.
Equilíbrio
Para Peres, a alimentação deve ser usada de forma preventiva para garantir saúde e qualidade de vida. “Você tem que pensar como quer envelhecer. Porque aquelas pessoas que não se importam com o que comem estão mais suscetíveis a sofrer um derrame, por exemplo, e ficar incapacitadas, frustradas e deprimidasâ€, destaca.
O ideal, segundo ela, é manter o organismo equilibrado, independentemente do lugar aonde se vai ou do período em que se encontra. “E não fazer como aquelas pessoas que entram num restaurante e comem o máximo que podem porque estão pagando. O organismo não entende isso - uma hora recebe de mais, outra hora recebe de menosâ€, completa.
Peres defende a “dieta da saúdeâ€, uma dieta de equilíbrio, de pensar magro, de prevenir doenças crônico-degenerativas. A especialista admite que é um caminho difícil, mas lembra que cada pessoa deve saber o que quer da vida e buscar seguir sua escolha da melhor maneira possível.
“Quem não se preocupa, que não fique bravo com Deus depois, quando vier alguma doença. Se você cultivou, plantou e regou como quis, não questione por que Deus fez isso (um derrame, um infarto). Ele não fez isso com ninguém. A gente planta, a gente colheâ€, afirma Peres.
Regime não é sazonal
As nutricionistas Sylvia Tosi e Suely Prieto Peres alertam que o clima brasileiro não justifica alterar o valor calórico das dietas em função da troca de estações. “A composição alimentar deve seguir a pirâmide dos alimentos, aceita internacionalmente. A pirâmide é fixa, não é sazonalâ€, destaca Peres.
A teoria da pirâmide dos alimentos determina o que o ser humano deve ingerir diariamente, englobando produtos de todas as categorias nutricionais em proporções saudáveis. O ideal é que cada refeição contenha um pouco de tudo.
A base da pirâmide é composta pelos carboidratos, indicando que eles devem representar cerca de 60% do cardápio (6 a 11 porções diárias). Os carboidratos são as principais fontes de energia para o ser humano e estão presentes no arroz, batata, mandioca, massas, farinhas, entre outros.
O cardápio também deve contar duas a três porções de leite ou derivados, duas a três de carnes magras e grãos. Neste caso, se houver duas porções de carne, ingerir uma de grãos e vice-versa.
No topo da pirâmide estão as gorduras e os açúcares, que são muito importantes para o organismo, mas devem ser consumidos com extrema moderação. Pessoas com sobrepeso ou obesidade devem excluir ao máximo os alimentos destas categorias, preferindo o azeite de oliva puro às demais fontes de gordura.