Bairros

Caso Ajax está na lista do Greenpeace

Por Ieda Rodrigues | com Agência Estado
| Tempo de leitura: 2 min

O caso da Fábrica de Baterias Acumuladores Ajax de Bauru, que foi interditada por indícios de contaminação por chumbo, está na lista do Greenpeace. Bauru é um dos 17 locais do Brasil que, segundo o relatório da entidade ambientalista, sofre com contaminação industrial.

As informações sobre a Ajax, inclusive número de pessoas com alta concentração de chumbo no organismo, foram passadas ao Greenpeace pelo Instituto Ambiental Vidágua. Com o novo lote de resultados de exames divulgados ontem pela Direção Regional de Saúde (DIR-10), já são 263 pessoas - 262 crianças e uma gestante - com mais de dez microgramas de chumbo por decilitro de sangue, índice considerado tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Dos 131 resultados de exame recebidos no último lote, 50 apresentaram alteração para o chumbo, de acordo com Márcia Simonetti, diretora do Departamento de Vigilância Epidemiológica da DIR. “Agora já são 767 exames processados, dos quais 263 apresentam alterações. Estamos chegando ao fim dos exames”, diz.

Para o vereador Rodrigo Agostinho, que é diretor do Vidágua a organização não-ambiental (ONG) bauruense, a repercussão é uma conseqüência do problema e pode ajudar. “Ajuda na medida que um número cada vez maior de pessoas se mobiliza”, comenta.

Agostinho conta que, assim como ao Greenpeace, o Vidágua enviou ofício sobre o caso Ajax a outras entidades ambientais internacionais. “Junto com o ofício informativo enviamos documentos. Também pedimos auxílio a essas entidades na análise do solo”, frisa.

O relatório do Greenpeace sobre crimes corporativos foi lançado na Indonésia, durante a reunião preparatória da Cúpula para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+10). “Trata-se de registro preliminar dos crimes corporativos com impactos grandes e a longo prazo na população e no meio ambiente. O objetivo é provar a necessidade de uma ação urgente, regional e global sobre o assunto”, diz Karen Suassuna, coordenadora da campanha do Greenpeace.

Dos 37 casos apresentados no relatório internacional, seis são brasileiros. Além do caso da Ajax, o relatório também lista ocorrências de contaminação industrial em Santo Antonio da Posse, Paulínia, Vila Carioca, Osasco, Santo André, Mauá, Cubatão, Guarujá, Jacareí, todas no Estado de São Paulo. O documento, que foi enviado aos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Saúde e do Meio Ambiente, e aos secretários estaduais do Meio Ambiente, também inclui casos do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco.

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