Economia & Negócios

Fundos DI não causarão mais perdas, afirmam economistas

Da Redação
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Apesar do susto dos investidores e das perdas significativas nas aplicações em fundos DI, economistas ouvidos pelo JC afirmam que este não é o momento de retirar o dinheiro dos fundos ou transferí-lo para investimentos mais conservadores, como a caderneta de poupança. As perdas já teriam cessado.

Na opinião dos economistas, a tendência é de que o mercado se acalme e, nos próximos meses, os bancos passem a oferecer vantagens para os investidores desses fundos, como a não-cobrança de taxas administrativas e a reposição da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

“Deixa um pouco mais, sente um pouco mais o mercado e depois toma a decisão que achar conveniente”, recomenda o economista Wagner Ismanhoto. Segundo ele, quem retirar o dinheiro dos fundos DI (depósito interbancário) neste momento pode perder a chance de recuperar os valores perdidos numa provável futura retomada dos rendimentos.

Além disso, Ismanhoto explica que o rendimento dos fundos hoje é de cerca de 0,8% ao mês, menor que o praticado antes da resolução antecipada do Banco Central, que ocasionou as perdas, mas ainda assim, maior que o rendimento da poupança: em torno de 0,7% ao mês. “A rentabilidade é proporcional ao risco que se corre”, afirma Ismanhoto.

Pulverização gradativa

Para o economista Said Yusuf Abu Lawi, uma retirada em massa do dinheiro aplicado em fundos DI poderia ocasionar problemas ainda maiores para a economia brasileira. “Se todo mundo correr para sacar, o governo seria obrigado a tomar uma medida como a da Argentina, ou seja, não tem para ninguém”, afirma.

De acordo com Lawi, há R$ 350 bilhões em títulos do governo nos fundos, mas até o momento, a informação é de que apenas R$ 5 bilhões foram sacados. “Quanto mais os aplicadores em geral mexerem, pior para todo mundo, maiores serão as perdas. Agora não é hora de provocar nenhuma turbulência”, sustenta.

Para Lawi, é natural que aplicações mais seguras, como a poupança e o ouro, acabem sendo mais atrativas num momento de perda como este. Mas a insegurança do investidor pode acabar prejudicando ainda mais a economia. “Já é bom ir pensando numa pulverização gradativa, mas tem de ser gradativa mesmo, senão, acaba provocando tumulto no mercado”, conclui.

Ação judicial

Um professor aposentado, que pediu para não se identificar, conta que perdeu R$ 7 mil na última semana com a aplicação que tem em fundos DI há mais de um ano. Ele tinha R$ 170 mil aplicados, foi pego de surpresa com a resolução do Banco Central (BC), e agora quer acionar judicialmente o banco onde fez o investimento e o próprio BC.

Sua principal reclamação é de que o banco não o havia avisado de que seu dinheiro corria tanto risco.

Para o advogado tributarista Plínio Antônio Cabrini Júnior, ganhar uma ação desse tipo é difícil, mas não impossível. O cliente que se sentir prejudicado teria que provar que o banco não deixou claro quais eram os riscos envolvidos num investimento em fundos DI, considerado seguro.

Além disso, o fato do BC ter antecipado a resolução de registrar os títulos ao valor de mercado, o que deveria ocorrer em setembro, acabou pegando muita gente de surpresa. “Poderia se levantar a questão da segurança jurídica. Você não pode ser surpreendido por uma situação repentina como esta sem ter condições”, afirma Plínio Júnior.

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