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Proposta de curso de direito em três anos provoca reações

Fabiano Alcântara
| Tempo de leitura: 3 min

A possibilidade do curso de direito ser ministrado em três anos, proposta que tramita no Conselho Nacional de Educação (CNE), está sendo mal recebido nas universidades e entre especialistas do meio jurídico. Atualmente, o tempo mínimo é de cinco anos.

Por conta da insatisfação generalizada, o conselho vai reavaliar a proposta. â€œÉ muito pouco provável que a redução ocorra”, afirma o presidente do Câmara de Educação Superior, que integra a CNE, Arthur Roquete de Macedo.

De acordo com ele, a intenção do conselho não era a diminuição do tempo do curso. “O objetivo do conselho era a flexibilização do currículo”, afirma Macedo.

No mês passado, um parecer que poderia ser utilizado para a redução do tempo do curso foi aprovado. O texto, no entanto, refere-se a outro parecer que ainda não foi homologado. Com isso, um impasse se instalou.

Segundo Macedo, o resultado definitivo deve sair em julho. Para ele, o parecer aprovado é genérico e está sendo mal interpretado.

O secretário-executivo do CNE, Raimundo Miranda, admite que o parecer repercutiu mal entre a comunidade jurídica, que está exercendo pressão. Ele afirmou ontem, de Brasília, que o curso não deve ter a duração reduzida.

O parecer homologado também trata de nova diretrizes curriculares para ciências econômicas, administração, ciências contábeis, turismo, hotelaria, secretariado executivo, música, dança, teatro e design.

Os outros cursos não estão gerando tanta polêmica como o de direito e podem ser reduzidos para três anos. â€œÉ possível que alguns cursos tenham o tempo mínimo fixado em três anos”, afirma Macedo, sem especificar quais.

Sem mudanças

Com dúvidas a respeito das mudanças, o coordenador educacional da Instituto Toledo de Ensino (ITE), Pedro Walter de Pretto, diz que a universidade está aguardando a “maturação” da discussão. Por enquanto, fica tudo igual.

Na avaliaçõ de Pretto, três anos é muito pouco para ministrar o programa atual. â€œÉ impossível dar um curso de direito neste tempo. Tivemos experiência com quatro anos e os grandes juristas acharam que este tempo era insuficiente”, comenta.

O coordenador educacional afirma que existe, inclusive, quem acredite que os cinco anos vigentes seja pouco tempo. “Estaria havendo um retrocesso”, opina.

De acordo com ele, ainda haverá muita discussão em torno do tema. “Ainda é cedo para tomarmos decisões”, conclui.

O diretor da Universidade Paulista (Unip) de Bauru, Geraldo Magela Alves, concorda com Pretto. Ele também diz que por enquanto não haverá mudança no curso.

“Da forma como o curso é dado hoje, é impossível reduzir para três anos”, opina. “A Unip pretende manter o padrão atual”, afirma.

Alves teme pela queda da qualidade do curso. “Alguém só poderá optar por esta redução se fosse feita uma especialização depois”, comenta. “Ainda não tive acesso ao parecer, nós moldes atuais é impossível ministrar o curso em três anos”, afirma.

Os cursos que podem ter o tempo reduzido

• direito

• ciências econômicas

• administração

• ciências contábeis

• secretariado executivo

• turismo

• hotelaria

• música

Alunos são contra redução

Estudantes de direito da ITE ouvidos ontem pela reportagem posicionaram-se contra a redução do curso de cinco para três anos.

De acordo com eles, o conteúdo do curso e a formação dos futuros advogados ficariam gravemente prejudicados.

“O direito é extenso, existem muitos detalhes. Na minha opinião, cinco anos é pouco, imagine três”, afirma Fernanda Corrêa da Silva, do segundo ano de direito.

Também no segundo ano, Rafael Celso Roberto acha que é “impossível” passar o programa atual em três anos. “Acho que quatro daria”, comenta.

Já o estudante do quarto ano Otávio Augusto Lima, pensa que seriam necessários seis anos de curso. “Três anos é uma proposta ridícula. Isso é totalmente fora de propósito”, defende. Lima propõe que o último ano fosse preparatório para os concursos, objeto do desejo de muitos acadêmicos.

Andréa Cristina Storolli, do quarto ano, afirma que a redução complicaria as pretensões dos que pretendem fazer concursos. “Acho um absurdo, teria que cortar uma série de matérias”, opina.

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