Jaú - O promotor Luís Fernando Rosseto solicitou à Polícia Civil de Jaú que investigue possíveis responsabilidades de médicos no número lesões de plexus braquial superior em recém-nascidos.
Paralelamente, corre na Promotoria de Justiça do Consumidor de Jaú um inquérito civil. A intenção do promotor, neste caso, é saber se as ocorrências estão dentro dos padrões aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
O pedido de inquérito policial foi encaminhado ao 1.º Distrito Policial (DP) depois que o promotor recebeu reclamações de mulheres inconformadas com os problemas de seus filhos recém-nascidos. Segundo o promotor, até o momento, foram identificados dez casos.
A lesão plexus branquial ocorre quando, durante o parto, uma malha nervosa que vai da coluna vertebral até o ombro da criança se rompe ou sofre um estiramento. Como conseqüência, o recém-nascido perde os movimentos do braço e passa a necessitar de um longo tratamento fisioterápico. Em alguns casos, a perda de mobilidade é permanente.
De acordo com o delegado Edmundo Ciro Vidal, do 1.º DP, o inquérito policial não é para apontar erros médicos, mas para apurar se a quantidade de lesões, ocorridas nos últimos dez anos, nos hospitais da comarca de Jaú, está dentro da normalidade.
Segundo Vidal, caso fique comprovado um excesso de lesões, aí sim será aberta nova investigação para saber se houve negligência médica.
Na opinião do assessor jurídico da Santa Casa, um dos hospitais investigados, José Luiz Ragazzi, é impossível fazer o levantamento de todos os prontuários dos últimos dez anos, como quer o promotor. Segundo ele, durante esse período, foram realizados aproximadamente 18 mil partos, só na Santa Casa.
Seria preciso analisar caso a caso e, segundo Ragazzi, a Santa Casa não tem médicos para fazer esse serviço. Em razão disso, disponibilizou todo os prontuários arquivados no hospital para que sejam analisados por uma equipe nomeada pelo delegado.
Ragazzi não soube dizer qual é a média aceitável de lesões por parto, na classificação da OMS. Mas, segundo ele, a média da Santa Casa estaria bem abaixo da média mundial.
Na opinião de Ragazzi, a forma correta seria fazer um levantamento por médico e não por hospital. “Tem que analisar quantos partos fez um médico e (dentro desse universo, descobrir) quantas lesões foram causadas. Não tem que fazer um levantamento por hospital.â€
Segundo ele, a Santa Casa está encarando as investigações com naturalidade. Até porque, na opinião dele, não haveria “nenhum indício de irregularidade†nos partos feitos no hospital.