Polícia

Droga mutila os sentimentos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com o psicólogo do Esquadrão da Vida, Noé Amorim, o pior efeito das drogas é a mutilação dos sentimentos. “As drogas acabam com os sentimentos dos usuários e a partir daí, eles passam a cometer crimes, causam dor em seu familiares e abandonam a escola, emprego etc.”

O mal da maconha, segundo ele, é a síndrome amotivacional. A droga tira toda a disposição, motivação do usuário que se torna uma pessoa relapsa, desinteressada. É notório em qualquer aluno que se envolve com maconha a queda no rendimento escolar e até no trabalho.

Um dos piores danos causados pela maconha, na opinião do psicólogo, é o problema causado na memória recente. “A pessoa, no período de uso, tem uma dificuldade tremenda de aprendizagem e assimilação. Os efeitos perduram até depois do uso da droga e o usuário se torna inconseqüente. A maconha altera a questão de tempo e espaço e a pessoa não consegue relacionar o passado presente e futuro em larga escala, por isso ele não se preocupa com o futuro.”

A cocaína destrói à curto prazo, na opinião do profissional. “Ela atinge de uma forma muito agressiva. No início ela é muito prazerosa, porque é estimulante do sistema nervoso. Aparentemente integra a pessoa ao ambiente. Num primeiro momento parece que está fazendo muito bem para o usuário. O efeito degenerativo é muito rápido. A pessoa passa a ter paranóia, medo, fobia social. Se tranca em casa e começa a viver só para a droga, até ter uma overdose.

Já os efeitos do crack são mais avassaladores, de acordo com Amorim. “O crack tem o mesmo efeito da cocaína, só que numa potência de ação rápida. A cocaína leva um tempo para fazer efeito e a curva de média do efeito cai devagar, permitindo a adaptação do estado eufórico para o normal. O crack coloca o usuário num estado exagerado de prazer em cinco segundos, no qual ele fica de 12 a 15 minutos e despenca. A depressão que vem em seguida estimula o usuário a usar mais a droga”, diz.

O psicólogo frisa que o problema das drogas pode ser tratado em três estágios: primário, secundário e terceário. A prevenção, a abordagem e tratamento ambulatorial e tratamento com internação. A prevenção é o que está sendo feito pelo colégio.

Ele acredita que o depoimento de quem já passou pelas drogas sensibilize os estudantes que ainda não se envolveram. “A história de vida com a passagem pelas drogas. A contabilidade dos prejuízos e os fatores que contribuíram para que ele passasse a ser usuário são enfoques importantes que sensibilizam os alunos.”

Na opinião dele, os pais devem estar bem orientados para poderem passar as informações. “Não adianta apontar só os malefícios. Falar que a droga mata. É preciso dizer a verdade. Dizer que o uso das drogas é prazeroso, porém que o preço desse prazer é muito alto. A simples proibição pode provocar efeito contrário”.

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