Representantes do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) participarão, hoje à tarde, de um ato pelo repasse do índice de 11,6% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para as universidades públicas paulistas. O ato será realizado em frente ao prédio da Reitoria, em São Paulo, e também contará com manifestantes da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Campinas (Unicamp).
O evento faz parte do calendário de atividades do movimento de greve, instalado nesta semana em cinco das 15 unidades da Unesp. No momento, além de Bauru também estão totalmente paralisados os câmpus de Marília, Assis, Ilha Solteira e Presidente Prudente. Os demais estão com as atividades parcialmente suspensas, com exceção de Araraquara e Guaratinguetá.
Após a manifestação marcada para as 16 horas, que terá a presença de professores, funcionários e estudantes das três universidades, eles se unirão ao movimento de vários sindicatos do funcionalismo público e todos seguirão em passeata até a Assembléia Legislativa (AL).
“O objetivo do ato é incluir uma discussão na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para que sejam liberados mais recursos às universidades públicasâ€, destaca o presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) em Bauru, Milton Vieira do Prado Júnior.
De acordo com ele, já está agendado para os dias 17 e 18 deste mês um seminário, na AL, para discutir o projeto do Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp) de expansão de vagas para docentes, que seriam abertas a partir da criação de oito novos câmpus da Unesp que estão sendo previstos. O projeto prevê um sistema itinerante, no qual os professores dariam aulas em diversas unidades.
“Esse projeto itinerante pode prejudicar a qualidade do ensino. Além disso, está prevista para este ano uma verba suplementar para a criação de novos cursos na Unesp, mas ela não é garantida para os próximos anos. Expandir a quantidade de câmpus e cursos sem a garantia de ter mais recursos disponíveis pode ameaçar a qualidade do ensino e a estrutura das unidades já existentesâ€, avalia Prado Júnior.
Em Bauru, a partir das 14 horas de hoje, o papel das universidades públicas e a atual situação vivida por essas instituições estão entre os temas que serão abordados durante um debate, no câmpus da Unesp. O evento é aberto à participação do público. Para as 20h está previsto um sarau político-cultural na praça do câmpus. Amanhã será realizada uma assembléia para avaliar o movimento grevista.
A favor
Com 84 votos a favor, 35 contra e quatro abstenções, docentes e funcionários da Unesp de Bauru aprovaram, no início desta semana, a continuidade da greve deflagrada no último dia 10. As listas de presença foram assinadas por 200 estudantes, 83 docentes e 79 servidores. Também foi votado o apoio dos alunos com o seguinte resultado: 119 votos a favor e 39 contra.
De acordo com a Adunesp, a manutenção da greve foi decidida diante do entrave nas negociações com o Cruesp . Na reunião ocorrida dia 10, na Reitoria da Unesp, os reitores propuseram índice de reajuste salarial de 8% e negociação do restante do índice em outubro. Porém, a categoria continua lutando pelo índice de 16% aplicado em duas etapas, sendo a primeira de 9,68% imediatamente e o restante em setembro deste ano.
Não foi feita nenhuma contra-proposta por parte dos reitores com relação aos demais itens da pauta unificada de reinvindicações, segundo a Adunesp. Entre os itens da pauta estão a contratação de professores em regime de dedicação integral; ampliação da assistência estudantil; fim das terceirizações e contratação de funcionários regulares; ampliação de vagas em cursos regulares de graduação, e outros.