“Em 1958, por ocasião dos festejos do cinqüentenário de Penápolis, o prefeito Joaquim Veiga de Araújo incluiu na programação um campeonato de pesca numa represa do rio Tietê. O presidente da Sociedade Esportiva de Pesca “Salto do Avanhandavaâ€, senhor Bolivar Poeta de Siqueira, formou uma comissão de pescadores para a realização do evento.
A imprensa falada e escrita ficou encarregada de divulgar com propagandas e noticiários, o Luiz Buccalon e eu fomos escalados para convidar os participantes do campeonato. Para o maior brilhantismo do evento, convidamos o campeão brasileiro de pesca, o senhor Aparecido João Esponton, detentor de centenas de troféus.
O campeonato iniciou-se às 9 h|, sendo que até meio-dia o Esponton não havia fisgado nenhum peixe, isto porque a intenção dele era só peixes de grande porte, tendo em vista que ele colocou no anzol como isca uma enguia viva.
De repente, o Esponton deu uma forte fisgada e a vara ficou embodocada e submersa na água até bem perto das mãos dele. Todos os presentes ficaram vendo a luta do Esponton para içar o enorme peixe por ele fisgado. Como ele não conseguia retirar o peixe, várias pessoas correram para ajudá-lo.
Depois de muita luta e ajuda, surgiu preso na linha um tambor de 200 litros e cheio de água. O tambor foi atirado na margem da represa ficando constatado que a linha estava enfiada no buraco e que um peixe muito grande estava fisgado lá dentro.
Procuramos ajuda de uma oficina mecânica e com um maçarico retiramos a tampa, onde foi encontrado um enorme jaú preso ao anzol. A comissão encarregada da classificação do campeonato chegou à conclusão que o jaú estava dentro do tambor porque em certa ocasião a Secretaria do Meio Ambiente, através da Cesp, fez o repovoamento de várias espécies de peixes naquela represa, colocando alevinos inclusive de jaús.
Um dos alevinos de jaú permaneceu dentro do tambor, não conseguindo achar o buraco. Como ele cresceu e não mais passava pelo buraco, ficou preso. O jaú se alimentava apenas de enguias, um tipo de peixe que tem forma de serpente, única espécie que conseguia penetrar pelo buraco do tambor.
A comissão deliberou entregar todos os três troféus ao ilustre pescador, tendo em vista que no regulamento constava a premiação por tamanho, peso e quantidade, sendo constatado dentro do tambor, um jaú pesando 20 quilos, 2 metros de comprimento e milhares de piquiras.
Dorival Nogueira - é pescador e contador de histórias