Se depender do Grupo de Cirurgia de Quadril e Tumores Ósseos da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), em breve o Município terá um banco de ossos. A previsão é de que o órgão seja inaugurado ainda neste ano e atenda principalmente pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
A informação é dos médicos ortopedistas Antônio Carlos Good Mendes e Roger Tédde Mansano, do Grupo de Cirurgia de Quadril e Tumores Ósseos da AHB, que estão encabeçando a iniciativa. Eles afirmam que a demanda de cirurgias de implantes ósseos é grande na cidade. Os especialistas geralmente têm que recorrer a outros municípios para conseguir esse tipo de material.
De acordo com Mendes, a viabilização do Banco de Ossos está dependendo apenas de uma autorização da Vigilância Sanitária Estadual. Trata-se de trâmites legais.
“Nós temos que cumprir algumas regularizações que eles pediram e isso está sendo encaminhado via Associação Hospitalar de Bauru. Está em processo de tramitaçãoâ€, expõe Mendes. Representantes da Vigilância Sanitária foram acionados pelo JC na tarde de ontem e, no entanto, não forneceram detalhes sobre a autorização.
A iniciativa da criação do Banco de Ossos de Bauru, segundo Mendes, é do Grupo de Cirurgia de Quadril e de Tumores Ósseos da AHB. “Nós precisamos desse tipo de transplante para determinados tipos de cirurgia. Estamos solicitando porque a via legal é fazer desta maneira. A vigilância tem que autorizar para poder funcionarâ€, justifica o especialista.
O Banco de Ossos deverá funcionar na nova sede do Hemonúcleo de Bauru, que dispõe de um freezer de baixa temperatura para o armazenamento do material doado. A infra-estrutura para funcionamento do órgão estará completa assim que o gerador do hemonúcleo for instalado, já que no sistema de baixa temperatura não pode faltar energia elétrica. “A infra-estrutura necessária nós já temos. Não precisamos de mais nadaâ€, reforça o ortopedista.
Um dos aspectos que estariam sendo avaliados pela Secretaria Estadual de Saúde para a liberação do Banco de Ossos é o alto custo dos exames necessários para a utilização dos ossos em outros pacientes.
Os especialistas afirmam que existem poucos bancos de ossos no País. No Estado de São Paulo são cerca de 15, mas a região de Bauru é desprovida de órgãos com essa finalidade. “A tendência é aumentarâ€, acredita Mendes.
Doação
O ortopedista Roger Tédde Mansano explica que a doação de ossos pode ser feita de duas maneiras. Na primeira delas, os ossos são retirados dos doadores universais, seguindo o mesmo procedimento utilizado para os órgãos, mediante autorização da família do doador.
A outra possibilidade é que o material seja doado por um paciente que fraturou um osso cuja parte quebrada não pode ser reaproveitada por seu organismo.
Um exemplo citado por Mansano são as fraturas de cabeça de fêmur. A cabeça do fêmur é retirada e vai para o banco de ossos, após passar pelos exames necessários. O paciente doador, então, recebe uma prótese.
Os ossos mais utilizados para implante são os que têm maior quantidade de material esponjoso, como partes do fêmur, tíbia e úmero (no braço). “O osso cortical é um osso duro, então a gente não utilizaâ€, explica Mendes. A demanda de ossos da região buco-maxilo-facial para implantes também é grande, de acordo com os especialistas.
Após a retirada em centro cirúrgico, o osso é submetido a sorologia específica (para aids e hepatite A e C, por exemplo). Posteriormente, vai para o freezer de baixa temperatura, onde é armazenado a uma temperatura de menos 80 graus. Se os resultados dos exames forem negativos, o material é liberado para implante.
Os ossos podem ficar acondicionados em baixa temperatura durante até seis meses. Após esse período, o material deve ser desprezado.
Receptor
Os principais casos de pacientes que precisam receber implante de ossos são aqueles que sofreram perda ou tumores ósseos, em que as “falhas†na ossatura geralmente são grandes. As revisões de cirurgias de implantes de prótese geralmente implicam em implante de ossos.
“Basicamente, os implantes de ossos são utilizados para falhas ósseas. Tanto na parte ortopédica quanto na parte de buco-maxilo-facialâ€, diz o médico Roger Tédde Mansano.
O paciente que recebe o enxerto deve ser comunicado da necessidade e deve assinar um termo de autorização para que a cirurgia seja realizada, já que há possibilidade de rejeição do material implantado. “Existe possibilidade de rejeição porque estamos colocando um corpo estranho. Existe uma probabilidade de 30 a 40% de que isso aconteça. Se acontecer, temos que retirar tudoâ€, alerta o médico Carlos Good Mendes.
Os orpopedistas fazem um apelo à população para a doação de ossos e garantem que o corpo do doador não fica deformado após a retirada dos mesmos. â€œÉ importante que cada vez mais órgãos sejam doados. Perde-se muito e a demanda é cada vez maiorâ€, observa Mendes.