Economia & Negócios

Supermercados confirmam tendência


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Nos supermercados consultados pelo JC, os produtos das marcas líderes estão, de fato, perdendo espaço para as outras opções, chamadas de “segunda linha”. “Raros são os produtos de marca, hoje, que estão mantendo a liderança”, revela Marcos Renato Lourenção, responsável pela área de compras de uma rede de supermercados da cidade.

“O consumidor está fiel ao que ele tem no bolso; e não está preocupado com marca”, afirma Lourenção, que faz questão de deixar claro que a qualidade não é mais quesito para considerar uma marca “líder”. Essa definição, em sua opinião, se deve apenas ao trabalho de marketing feito pelo fabricante do produto.

A diferença na qualidade, para Lourenção, é pouco sentida pelo consumidor, principalmente em produtos de limpeza e conservas. Ele credita esse fato a uma possível equivalência de tecnologia e maquinários das diferentes indústrias.

“O dia em que o cliente está com dinheiro no bolso ou com cheque pré-datado, ele compra a marca conhecida. Mas durante o mês, ele vai fazendo a reposição com as outras marcas, mais baratas”, observa Lourenção.

‘Clientes-preço’

Os produtos de “segunda linha” também são bastante atrativos para os supermercados, que acabam tendo margem de lucro e taxa de rotatividade bem maiores com eles do que têm com as marcas líderes. De acordo com os supermercados consultados pelo JC, as “segundas marcas” perfazem 70% do total de vendas de diversos produtos, de guardanapos de papel a milho em conserva.

“Existem muito mais ‘clientes-preço’ do que clientes fiéis a marcas. Eu calculo essa proporção em 7 para 3", afirma Edmílson Ronaldo Belan, gerente administrativo de uma rede de supermercados instalada em Bauru. A rede em que Belan trabalha possui também duas marcas próprias, que chegam a ser “campeãs de venda” em alguns itens, como o feijão.

Para os donos de supermercado, a vantagem de ter uma marca própria seria a possibilidade de baixar os preços com promoções, o que renderia maior volume de venda e, ainda, as lojas cheias de gente, que sempre acabam levando outros produtos. “A pessoa vê o preço baixo, compra e experimenta. Se gostar, ela não vai mais querer o produto de marca mais famosa”, observa.

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